Curitiba - A permissão para que os agricultores paranaenses plantem algodão transgênico chegou tarde no Paraná. Ontem, o ministro Roberto Rodrigues divulgou portaria reconhecendo as zonas de exclusão para o plantio de algodão com sementes modificadas geneticamente. O Paraná não está na lista.
Fazem parte das zonas de exclusão Amazonas, Pará, Acre, Amapá, Rondônia, Roraima e Tocantins, além dos municípios e localidades específicas da Bahia, Maranhão, Paraíba, Rio Grande do Norte, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
Segundo o coordenador técnico da Cooperativa Agroindustrial de Goioerê (Coagel), Elcio Rosseto, os agricultores paranaenses não encontraram as sementes transgênicas de algodão no mercado no momento do plantio da safra 05/06. Cerca de 30% a 40% do plantio previsto no Estado já foi feito.
A região de Goioerê, no Noroeste, é conhecida pelo plantio de algodão por pequenos e médios produtores. Na safra passada, cerca de 1.500 agricultores plantaram a cultura, mas este ano estão desestimulados pelos baixos preços.
Para Rosseto, o maior atrativo no plantio do algodão transgênico é a redução nos custos de produção. Segundo ele, o agricultor gasta muito com aplicação de herbicidas para controlar as pragas na lavoura e o preço dos agroquímicos são muito elevados. ''O agricultor quer testar mesmo se o algodão transgênico reduz os custos das aplicações'', disse.
De acordo com ele, o algodão transgênico já está sendo plantado no Mato Grosso e provavelmente será plantado aqui nas próximas safras. Ele acredita que a semente modificada geneticamente pode ser uma alternativa para o produtor não desistir da cultura, que tem acumulado prejuízos. Na última safra, o produtor perdeu muito com a seca, seguida de preços baixos no mercado. ''Por isso reduziu o plantio em 50%'', lembrou.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, o plantio de algodão no Paraná caiu de 57 mil hectares na safra 04/05 para 29.800 hectares na atual safra. O levantamento de acompanhamento de safra, que será divulgado no início do próximo mês, deve apontar para novo recuo do plantio, antecipou o técnico Dirlei Manfio.

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