Permanece impasse entre servidores e Embrapa
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terça-feira, 10 de julho de 2012
Mariana Fabre <br> <br> Reportagem Local 
Após mais de 60 dias de negociação, o impasse entre a diretoria da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e os servidores ainda não foi solucionado. Na última sexta-feira, todas as 42 seções sindicais rejeitaram a proposta apresentada pela Embrapa para fechamento do Acordo Coletivo de Trabalho 2012-13. Os principais empecilhos para o acordo são a margem de reajuste salarial e a retirada de alguns direitos já estabelecidos para os servidores.
O Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário (Sinpaf) espera receber aumento superior à inflação, enquanto a Embrapa oferece reajuste de 5,10% para cobrir as perdas causadas pela inflação anual. Entre os benefícios que a Embrapa pretende retirar estão a folga em dia de pagamento e a redução da idade dos dependentes que recebem auxílio-creche, pré-escola e babá.
O presidente do Sinpaf, Vicente Almeida, relata que ontem os servidores iniciaram uma nova paralisação de 48 horas para aguardar uma posição da Embrapa. Diante da ausência de solução, a categoria vai finalizar a greve amanhã e retornar ao trabalho. ''Mas estamos em estado de assembleia permanente e a qualquer momento podemos retomar a paralisação'', esclarece.
Uma nova manifestação está agendada para a próxima segunda-feira em Brasília, em parceria com demais servidores públicos federais. Segundo Almeida, a Embrapa tem pressionado os servidores que aderiram ao movimento e, para contestar a ação, o Sinpaf organiza amanhã um ato em frente ao Palácio do Planalto. A greve foi promovida entre os dias 25 e 29 em todo o País.
O posicionamento oficial da Embrapa é de que a margem para negociações está encerrada, em razão das divergência entre as cláusulas sociais. Com a ausência de um conseno entre as partes, o Acordo Coletivo não foi renovado. No dia 6, o Sinpaf ajuizou o dissídio coletivo junto ao Tribunal Superior do Trabalho e agora cabe a Embrapa aguardar a tramitação judicial, que ainda não tem previsão para julgamento. No entanto, Almeida explica que o dissídio só poderá ser implementado com a anuência de ambas as partes e, nesse caso, depende de ação da Embrapa. ''Acreditamos que sempre tem margem para negociar e com ajuizamento do dissídio, vai ser convocada uma audiência de negociação. Continuamos abertos ao diálogo'', conclui o presidente do Sinpaf.
O presidente da seção sindical de Londrina, Luiz Carlos Benato, explica que os cerca de 300 servidores da Embrapa Soja realizaram ontem pela manhã uma assembleia em que decidiram retornar ao trabalho. Dessa forma, a categoria mantém o movimento, mas retoma a execução normal das atividades. ''Estamos mobilizados dentro da Embrapa. Aguardamos que a empresa nos chame para negociação. Não tivemos avanço até agora, mas estamos esperançosos'', avalia Benato.


