O ministro da Fazenda, Pedro Malan, afirmou ontem que a confiança no Brasil não se deteriorou como em outros países envolvidos na crise internacional e que o período de dificuldades econômicas do país será ‘‘menos intenso e menos prolongado’’ que as previsões anteriores.
‘‘Não teremos a volta do descalabro inflacionário que marcou as décadas de 70 a 90’’, afirmou Malan no seminário ‘‘Desenvolvimento Financeiro Global de 1999’’, promovido pelo Banco Mundial. ‘‘As estimativas mais negativistas a respeito da retração da atividade e do emprego não terão a intensidade e a magnitude das previsões de alguns meses atrás’’, afirmou o ministro.
Malan ressaltou que o fato de a confiança não ter sido tão abalada e de o país ter sido o segundo receptor de investimentos diretos do mundo nos últimos dois anos entre os países emergentes em 97 não significa que a crise está superada. ‘‘Temos problemas, nunca o negamos. Eles estavam conosco anos atrás, muitos deles continuam conosco e estarão conosco nos próximos meses e anos’’, afirmou o ministro.
Segundo Uri Dadush, diretor do Departamento de Perspectivas de Desenvolvimento do Banco Mundial, os riscos de contágio da crise brasileira em outros países da América Latina ainda existem, embora sejam menores que os estimados anteriormente. ‘‘Passamos por uma crise tão séria que a situação do Brasil ainda exige monitoramento’’, afirmou Dadush.
Na avaliação do secretário de Política Econômica, Edward Amadeo, o risco de contágio do Brasil foi menor que o dos países do Leste da Ásia porque os agentes econômicos se tornaram mais conservadores depois da crise asiática. ‘‘Isso é ruim, porque diminui os fluxos de capital para os países emergentes. Mas é menos arriscado, do ponto de vista de uma crise sistêmica’’, disse Amadeo.
Na avaliação de Dadush, a recuperação dos países emergentes, grupo que inclui o Brasil, deverá ser ‘‘lenta e difícil’’. O crescimento dessas economias emergentes neste ano, acrescentou, deverá ser o pior desde a crise da dívida externa, nos anos 80.
O economista do Banco Mundial, entretanto, avalia que os países emergentes representam atualmente um risco menor para a economia mundial que os países industrializados. Sua preocupação se concentra basicamente na recessão do Japão e no excesso de demanda nos Estados Unidos. As previsões de Dadush, atualizadas nas últimas semanas, apontam para o crescimento de apenas 1,5% na produção industrial de 99 desse conjunto dos emergentes.
No próximo ano, o percentual deverá se elevar a 3,7%, o que significaria ‘‘recuperação relativamente gradual’’. Para ele, apenas a partir do ano 2001, com crescimento da produção industrial de 4,6%, os países emergentes retomariam o ‘‘caminho do desenvolvimento’’.Dida Sampaio/Agência EstadoNovos temposO ministro Pedro Malaná: ‘‘Não teremos a volta do descalabro inflacionário das décadas de 70 a 90’’Agência Folha

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