Perguntando de produtividade ao trabalhador
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 19 de junho de 2002
Caroline Castro 
A produtividade do trabalho é, para os empresários, um dos temas mais atuais do novo milênio. E, apesar de ser muito discutido em palestras, cursos e reuniões, ainda falta avançar na introdução de métodos que tornem o processo de trabalho mais eficiente. Porém, muitas dessas discussões não levam em consideração a opinião do trabalhador. E os empresários mais experientes sabem que são exatamente os trabalhadores, aqueles que atuam nas linhas de produção, que melhor conhecem os problemas e dificuldades do dia-a-dia nas companhias.
Ainda hoje, na busca por uma maior produtividade, alguns empresários aplicam severas regras de desempenho como, por exemplo, o cumprimento de altas cotas de produção. Esse método pode causar forte impacto sobre a criatividade e sobre a motivação dos trabalhadores que, ao invés de realizar suas tarefas com prazer, poderão executá-las somente para cumprir suas jornadas de maneira rotineira e burocrática. Além disso, essas severas condições de trabalho poderão ocasionar estresse, tensão e mal estar, afetando o rendimento dos colaboradores e, consequentemente, o desempenho da empresa.
Muitas vezes, bons resultados deixam de ser alcançados porque o colaborador expressa-se somente como um cumpridor de tarefas, ao invés de possuir caráter inovador, fator que diferencia fortemente uma empresa no mercado. Quando os trabalhadores desempenham suas funções com prazer, podem aumentar o rendimento, gerar idéias criativas e contribuir para a inovação de produtos e processos da empresa. A criatividade favorece a conquista de novos mercados. Trabalhadores satisfeitos e criativos também propiciam marketing promocional para a empresa.
A empresa deve incentivar os funcionários a expor suas idéias, tendo em vista que, muitos deles, conhecem muito mais os processos de produção do que os próprios donos do negócio. Existem, dentro das corporações, grandes talentos escondidos à espera de uma oportunidade para contribuir para o sucesso da empresa. Além de reconhecer a importância de cada colaborador, e propiciar um ambiente de trabalho de qualidade, a empresa deve investir em capital humano de forma a aumentar internamente a capacidade de gerar idéias e inovações. Dar espaço para a exposição e discussão de diversos temas durante o expediente, organizando equipes multidisciplinares, também contribui para o aprendizado dos gestores e trabalhadores.
É preciso compreender que todo gasto na formação de capital humano não é custo, é investimento. Investir no trabalhador significa estar à frente da concorrência. Muitas das grandes inovações surgem durante o expediente de trabalho, criadas pelos próprios colaboradores para facilitar as tarefas cotidianas. As grandes invenções da humanidade surgiram desta forma e revolucionaram a História. É prudente não esquecermos disso.
* Caroline Castro trabalha no Núcleo de Desenvolvimento Sustentável do IBQP
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