Pergunta foi direcionada, diz presidente da Fiep
Para o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), Edson Campagnolo, as respostas dos motoristas foram favoráveis à renovação dos contratos com as atuais concessionárias porque a pergunta foi "direcionada". O Paraná Pesquisas perguntou aos entrevistados o seguinte: "É melhor o governo esperar vencer o contrato de pedágio, em 2022, ou fazer um novo contrato já, com novas regras, duplicações, obras e ainda baixar o pedágio?"
Campagnolo fez uma analogia para explicar sua afirmação. "É como perguntar para uma criança se ela quer um brinquedo ou vários brinquedos", afirma. Segundo o presidente da Fiep, a pergunta é "tendenciosa" porque não apresenta ao entrevistado o problema do pedágio no Paraná, que envolve uma série de ações na Justiça. E nem quanto o pedágio seria reduzido.
Ele não acredita que possa haver uma negociação com as atuais concessionárias que termine em benefício ao usuário. E diz que "algumas entidades estão brincando" com quem utiliza as rodovias e prejudicando a economia do Paraná. "O pedágio no Paraná é um imbróglio muito grande e as concessionárias não vão dar um desconto nas tarifas que seja razoável. O desconto que elas propõem é de 4%, 5%", afirma.
Já o coordenador do curso de economia da PUC-PR, Jackson Bittencourt, não vê problemas na renovação. Ele recorda que os preços hoje são muito altos porque os contratos foram assinados no final dos anos 1990, quando o cenário econômico do País era bem diferente. "A Selic (taxa básica de juros) estava a 34%, hoje está a 14%", afirma. Em função disso, a taxa interna de retorno (TIR) da concessionárias também tinha de ser muito alta.
De acordo com Bittencourt, a falha do governo ao assinar os contratos no passado foi não prever um reequilíbrio dos contratos em caso de mudança do cenário econômico. Para o professor, é possível fazer uma renovação com cláusulas que garantam essa flexibilidade. Ou seja, se os juros baixam, a taxa de retorno também tem de baixar. Se aumentam, a taxa também deve aumentar. "Acho muito tempo esperar até 2022 (para que sejam feitas novas concessões)", declara.
A reportagem perguntou ao economista se não seria melhor devolver as rodovias, que são federais, à União. Na maioria dos Estados, é o governo federal que cuida das BRs. Ele afirma que não. "O Paraná já tem um histórico com essas estradas. Acho importante renovar a delegação", declara. O convênio que permite ao Estado gerenciar as BRs vence em 2022 assim com os contratos com as concessionárias. (N.B.)





