São Paulo - Muros altíssimos, vidros à prova de bala, homens armados atentos a qualquer movimento nas ruas. Uma cerca elétrica mantém à distância os que passam. Funcionários são revistados na saída e os visitantes, fichados. Tem-se a impressão de estar entrando em um presídio, mas trata-se de um depósito de produtos apreendidos pela Receita Federal. Os endereços são mantidos em segredo, mas ainda assim, já foram assaltados várias vezes. Após tais episódios, a segurança foi reforçada.
A reportagem teve acesso a um desses depósitos, que faria qualquer compulsivo por compras enlouquecer. Os 17 mil metros quadrados de área estavam apinhados de mercadorias - 90% pirateadas. ''Nunca o galpão esteve tão cheio'', diz a funcionária que pede para não ser identificada.
A cada instante, chegam mais mercadorias, vindas do Aeroporto de Guarulhos, Porto de Santos ou das inúmeras operações da Polícia Federal nas estradas e paraísos da pirataria, como a Rua 25 de Março. Funcionários abrem cada caixa e espalham no chão perfeitas falsificações de bolsas Luis Vuitton, perfumes Calvin Klein e relógios Rolex.
E há muito pneus. Desde que o Brasil restringiu a importação de usados, Estados Unidos e Malásia, entre outros, tentaram entrar no País com pneus velhos.
Os produtos ficam armazenados até decisão da Justiça, que pode levar anos. A maioria é incinerada ou destruída por escavadeiras. (A.E.)

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