Com a divisão das ações da Telebrás em 12 outros papéis, por conta da privatização da companhia, a cara do mercado acionário brasileiro deve mudar significativamente nos próximos meses. Ações de empresas como Telesp e Petrobrás tendem a despontar e fortalecer-se entre as blue chips (as mais negociadas) das Bolsas.
Hoje, as transações com os papéis da Telebrás respondem por mais da metade dos negócios na Bolsa de São Paulo (Bovespa). Depois da divisão, nenhuma ação vai concentrar os negócios nessa proporção.
O administrador de recursos do Consórcio Plural e do Banco Fator, Walter Appel, considera positiva essa diluição do volume de negócios em vários papéis. Para ele, o aplicador terá mais opções em termos de liquidez. O fato de uma ação ser bastante negociada é importante, por facilitar a compra e venda do papel.
Ele estima que a ação da holding da Telesp fixa, uma das 12 empresas que surgirão da divisão da Telebrás, deverá responder por 10% dos negócios à vista na Bovespa. Essa empresa compreende, além da Telesp operadora, a Companhia Telefônica de Borda do Campo. Os papéis da Telesp fixa operadora ficariam com 6% do mercado. Appel acredita que é possível que o novo controlador da companhia decida, no futuro, unir as duas empresas. Haveria, nesse caso, uma só ação da Telesp, que tenderia a concentrar o maior volume de negócios. Ainda de acordo com as projeções de Appel, os papéis da Embratel ficariam com 8%; e os da Petrobrás, com 10%.
E as ações da Telebrás continuam boa opção de investimento? Tudo indica que sim, ainda que não tenham necessariamente o melhor desempenho das Bolsas. Para o diretor de Mercado de Capitais do Banco Safra, Willian Jedwab, os papéis deverão andar no mesmo ritmo da média do mercado. Outra vantagem dos papéis da Telebrás é que eles são a porta de entrada para ações como Telesp e Embratel, duas das prováveis novas blue chips.
Em abril, a Bovespa criou um programa de conversão de ações em recibos de carteira da Telebrás, para dar mais tranquilidade ao mercado até a privatização, marcada para o dia 29. As ações ON e PN podem ser trocadas por Telb30 e Telb40, papéis que darão origem a recibos que vão equivaler a uma cesta formada pelas ações em que a Telebrás será dividida. Parte do mercado chegou a apostar que esses papéis poderiam tornar-se uma das principais ações das Bolsas. No entanto, isso não ocorreu. Até agora, apenas dois negócios foram realizados com esses papéis.

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