Rio - A associação entre Perdigão e Sadia para explorar mercados estrangeiros emergentes para as carnes brasileiras durou pouco. Um fonte relacionada ao assunto afirmou, ontem, que, em 15 dias, será desfeita a parceria na Brazilian Foods Trading (BRF), marca que ficará apenas nas mãos da Perdigão.
Segundo a fonte, o fato de as duas empresas serem ferrenhas concorrentes, tanto no mercado interno como no internacional, impediu que o negócio desse certo. O desenlace negativo sepulta as especulações surgidas desde o anúncio da BRF, em abril de 2001, de que a parceria para exportações era o primeiro sinal de uma aproximação que resultaria em fusão das empresas no futuro. Essa possibilidade sempre foi negada por ambas as partes.
A pedra no sapato da parceria foi o mercado russo. A Sadia acusou a sócia de não conquistar novos clientes naquele país e de operar apenas por meio de traders. Executivos da Sadia não escondiam esse descontentamento, afirmando em entrevistas que estavam melhor sozinhos. A Perdigão, por sua vez, criticava o ''imediatismo'' da sócia-concorrente. O resultado é que hoje, tanto Sadia como Perdigão, comercializam seus produtos na Rússia com suas respectivas marcas.
Em termos puramente financeiros, o noivado teve bons resultados. Segundo a fonte, a meta da BRF de obter em 2002 faturamento de US$ 150 milhões foi ultrapassada, embora ele não tenha quantificado a receita obtida no período. O último dado divulgado pelas empresas foi referente aos primeiros seis meses de 2002, quando a receita de vendas da BRF somou US$ 97 milhões.
A partilha dos bens do ''casal'' não será problema. O patrimônio da BRF soma hoje US$ 4 milhões e a Perdigão se dispõe a comprar a parte da Sadia. A Perdigão manterá o nome BRF no exterior e, em seguida, passará a comercializar todos os produtos com sua marca Perdix.
Segundo a fonte, o vice-presidente da Perdigão, Wang Wei Chang, e o diretor de relações com mercado da Sadia, Luiz Gonzaga Murat, estão coordenando o desenlace da parceria.

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