Perdigão assume controle da Batávia
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quinta-feira, 14 de dezembro de 2000
Agência Estado e Vânia Casado De Curitiba 
A Perdigão anunciou ontem a compra de 49% do capital do frigorífico Batávia, o que vai garantir o controle acionário total da empresa. A Perdigão há havia comprado 51% do capital do frigorífico em janeiro deste ano e já operava em todo o setor de carnes da Batavia, empresa criada pela Parmalat quando comprou a indústria da cooperativa Batavo em 1998. A Perdigão já havia assumido a gestão plena da Batávia em abril. O valor do investimento foi de R$ 20 milhões.
Com isso, a Batávia se concentra no setor de laticínios onde é mais forte, principalmente depois que foi comprada pela Parmalat. A compra da Batávia foi a maneira encontrada para entrar mais rápido no segmento de perus, afirmou o diretor relações institucionais da Perdigão, Ricardo Menezes. A Perdigão vai investir no próximo ano o total de R$ 100 milhões.
A Batávia, com sede em Carambeí-PR, foi a segunda agroindústria do País a entrar no mercado de perus, antes dominado pela Sadia. O setor de abate de perus entrou em operação no ano passado e exigiu investimentos de R$ 23 milhões, na época. Além do peru inteiro, o equipamento moderno permitiu a transformação da ave em derivados como salsichas, presunto, embutidos de peito cozido, patê, peito e presunto defumado.
Para iniciar a produção de perus, a Batávia firmou contrato com cerca de 100 produtores integrados que receberam matrizes da Inglaterra para iniciar a produção.
As exportações de peito de peru da Perdigão para países da UE devem crescer para 500 mil t por mês em 2001, ante as atuais 300 mil t. Começamos a exportar peru para a União Européia neste ano e as expectativas para 2001 são muito boas, afirmou o diretor de comércio exterior da empresa, Antonio Augusto de Toni.
Em abril, a Pergidão comprou 51% do capital do Frigorífico Batávia, que abate frangos e perus, o que possibilitou à empresa a exportação desse tipo de ave. Agora assume o controle total. Atualmente, o frigorífico abate 10 mil perus por dia. A produção deve dobrar até maio do próximo ano, disse o presidente da Perdigão, Nildemar Secches.
Atualmente, todas as 12 unidades da Perdigão abatem diariamente 1,2 milhão de aves. Antes da aquisição, a Batávia abatia menos de sete mil perus por dia. Do total abatido atualmente, 60% vai para o mercado externo. O diretor de mercado externo da empresa afirmou que os principais compradores europeus de peito de peru são, por ordem de importância, Inglaterra, Alemanha e Itália. Esses três destinos respondem por 98% das exportações brasileiras de perus, disse.
Para o próximo ano, a expectativa da Perdigão é que a participação da Europa nas exportações totais da empresa cresçam para 35%, ante os 33% atuais. A expectativa, contabilizando as previsões de vendas de dezembro, é que as exportações totais em 2000 vão superar os R$ 520 milhões.
Segundo ele, em 1998 e no primeiro semestre de 1999, os preços médios da carne de frango caíram devido ao grande da oferta mundial. No período, os preços chegaram a US$ 1.800 por tonelada, valores baixos e que são ruins para o setor, afirmou.
A expectativa da Perdigão é que, em 2001, a Ásia represente 31% das exportações totais da empresa, ante os atuais 30%. A participação do Oriente Médio nas exportações totais deve se manter em 28%. As previsões foram feitas antes da descoberta dos focos de vaca louca.
Vaca Louca A demanda externa por carne de frango aumentou depois da descoberta de focos da vaca louca em rebanhos europeus. Embora não divulgue números de exportação, a Perdigão informou que houve aumento de 10% nos preços da carne de frango, o que mostra que há maior demanda. Em menos de 60 dias, os preços médios do peito de frango sem osso passaram de US$ 2.350/tonelada para US$ 2.600/tonelada, afirmou Augusto de Toni.


