A Perdigão decidiu aumentar seus investimentos de R$ 90 milhões em 1998 para R$ 100 milhões para 1999 apesar da expectativa de retração na atividade econômica com o pacote de medidas fiscais anunciado pelo governo.
O objetivo é preparar-se para uma maior concorrência no setor. Wang Wei Chang, vice-presidente financeiro da empresa, afirma que os investimentos devem maturar nos anos de 2000 e 2001, quando o País ‘‘já deve ter retomado seu crescimento econômico’’.
Os investimentos realizados pela companhia nos nove primeiros meses de 1998 (US$ 75,3 milhões) já foram superiores aos do mesmo período do ano anterior (US$ 48,5 milhões). A empresa vai investir em 1999 US$ 20 milhões em automação de linhas nas fábricas do Sul do país e empregar R$ 80 milhões no projeto Buriti (fábrica de rações, linhas de abate de aves e suínos) em Rio Verde (Goiás). Chang explica que os investimentos têm como base a expectativa de crescimento no consumo interno e na maior competitividade no setor.
Consumo O consumo ‘‘per capita’’ de carnes processadas no Brasil é de sete quilos por ano, contra 45 nos Estados Unidos e 17 na Espanha. A competitividade está aumentando também com a possibilidade de entrada no País de empresas internacionais como a norte-americana Conagra que está disputando a compra da Ceval (terceira maior fabricante de produtos industrializados de carnes com a marca Seara) do grupo Bunge. A formalização da compra da Chapecó pelo grupo argentino Macri está também para ser concretizada. O acirramento da concorrência está fazendo com que a Perdigão amplie de US$ 25 milhões em 1998 para US$ 26 milhões em 1999 os investimentos em marketing.
Preços A Perdigão, a segunda maior fabricante brasileira de produtos de aves e suínos, decidiu reduzir preços para enfrentar a concorrência e aumentar o faturamento. A Perdigão elevou sua participação no mercado de produtos industrializados de carnes de 19,5% em 1997 para 21,1% nos nove primeiros meses deste ano.
A Sadia - maior fabricante nacional - reduziu sua participação no período de 26,1% para 25,2% e a Ceval - terceira maior fabricante - de 9,4% para 8,4%.
Donos da Perdigão O controle da Perdigão é exercido por fundos de pensão (98,1% das ações ordinárias e 69,6% do capital total), destacando-se o fundo Previ (Banco do Brasil) com 15,3% e Sistel (Telebrás) com 10,4% do capital total. O lucro líquido nos primeiros nove meses foi de US$ 30,4 milhões, contra US$ 21,1 milhões no mesmo período do ano anterior.
A receita operacional bruta da Perdigão passou de US$ 796,9 milhões nos nove primeiros meses de 1997 para US$ 839,3 milhões no mesmo período deste ano com crescimento de 5,3%. Houve queda nos preços dos produtos, pois o volume para o mercado interno cresceu 17,7% para um aumento de receita de 13,6%. Nas exportações houve uma retração de 16% no faturamento para uma queda no volume de produtos de 6%.

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