Perdas podem chegar a R$ 1 bi no PR
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quinta-feira, 20 de julho de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
As perdas da agricultura paranaense com as geadas que afetaram café, milho, trigo e cana-de-açúcar, podem chegar a R$ 1 bilhão. Os dados levantados pela Secretaria da Agricultura levaram o governador Jaime Lerner a se pronunciar ontem, pela segunda vez esta semana, em rede de televisão. O primeiro foi sobre o acidente do vazamento de óleo da Refinaria da Petrobras, em Araucária.
As perdas com o café, na safra do ano que vem, podem provocar prejuízos de R$ 320 milhões. Os cafeicultores deixarão de colher 2,1 milhões de sacas do produto. Esse volume representa 90% da previsão da próxima safra. Com o milho, a perda pode chegar a 1,6 milhão de t, que também corresponde a um prejuízo de R$ 320 milhões. A previsão do Deral era colher 2,8 milhões de t na safrinha. A expectativa é que ela tenha ainda um rendimento de 800 mil t.
A produção de trigo deve ter quebra de 600 mil t, o que representa 40% da previsão de safra para esse ano, que sinalizava para uma colheita de 1,54 milhão de t. Depois da geada, a produção de trigo no Paraná deverá ser inferior a um milhão de t. O prejuízo estimado pela Secretaria da Agricultura é de R$ 123 milhões.
Nas lavouras de cana-de-açúcar, a quebra estimada é de 2,5 milhões de toneladas, que representa um prejuízo de R$ 40 milhões. Ainda estão sendo computadas as perdas com as frutas, hortaliças, fumo. Um levantamento mais completo em todas as regiões do Estado será divulgado pelo Deral no dia 26.
Lerner pediu aos cafeicultores que não desistam da cultura, apesar do rigor do clima. Ele lembrou que o café já gerou muito emprego e renda no Estado e considera estratégico que o Estado continue firme no programa de recuperação da cafeicultura, iniciado há cinco anos.
Para o presidente do Iapar, Florindo Dalberto, as geadas devem ser vistas como um fator de aceleração de incorporação de tecnologia ao cultivo de café no Paraná. A recuperação do café adensado será bem mais rápida que o plantado no modelo tradicional, comparou.
Segundo Dalberto, a partir do segundo ano de ocorrência da geada, o café adensado permite uma produção de 12 a 15 sacas/hectare, enquanto o plantio tradicional permite a colheita de apenas três sacas por ha. Com isso a recuperação do adensado é muito mais rápida, o que mantém a viabilidade econômica do café no Paraná.


