Os prejuízos provocados pelo excesso de chuvas no Paraná ultrapassam a R$ 45 milhões com a quebra de produção da safra de inverno e feijão das águas, segundo a Seab. Na avaliação da Faep, a perda de renda do produtor ultrapassa R$ 52 milhões se computada a depreciação do grão.
O secretário nacional de Política Agrícola, Benedito do Espírito Santo, autorizou a prorrogação do pagamento de custeio do trigo para produtores que comprovarem perdas. A decisão do Ministério foi comunicada ontem à tarde, em Brasília, ao presidente da Faep, Ágide Meneguette.
Conforme o segundo levantamento do Deral, a quebra na produção de trigo evoluiu de 10,5% para 12,7% da produção estadual, que corresponde a uma redução de 232.180 t, um prejuízo de R$ 36,4 milhões. A previsão inicial era colher 1,82 milhão de t e agora caiu para 1,59 milhão de t. A perda de renda ao produtor de trigo dobra, se for computada a perda de qualidade da produção, disse a técnica Vera Zardo.
A maior parte da colheita está resultando em grão de tipo intermediário e comum. Não há mais trigo superior (preço mínimo de R$ 157,00 a t). Com a queda na qualidade, o preço cai para R$ 136,00 a R$ 110,00/tonelada, preços do trigo intermediário e comum.
Vera Zardo, acredita que a quebra na produção de trigo e de outros produtos pode ser superior ao levantado. Isso porque o levantamento refere-se até o dia 25 de setembro, não computando as chuvas que estão caindo de forma intermitente desde a última 6ª feira. ‘‘Como as chuvas não param os técnicos não conseguem ir ao campo para avaliar novamente a produção’’, explicou.
O maior índice de perdas está na região Oeste, segunda maior produtora de trigo do Estado, que está registrando uma quebra na produção de 33,5%, com a perda de 192.503 t. Na região Centro-Oeste, a produção cai de 341 mil t para 269.801 t, uma redução de 21%. Na região Sudoeste, a quebra atinge 16,4% da produção regional. O temor de perdas nas lavouras da região Sul está se concretizando, afirmou Zardo. A colheita está iniciando e já apresenta uma quebra de 2,6%, com a perda de 5.083 t.
Outros produtos de inverno como triticale, aveia branca e preta, cevada e ainda feijão das águas apresentam quedas. No triticale atinge 7,7% (11 mil t), e um prejuízo de R$ 1,43 milhão. A aveia branca quebra de 9,6% (7.500 t), um prejuízo de R$ 824 mil. A aveia preta, 9,1% (7.680 t) e prejuízo de R$ 768 mil. A cevada teve quebra de 2,2% e o prejuízo, R$ 475 mil.
Além do trigo, o maior índice de perda recai sobre o feijão. A região Sudoeste apresenta uma quebra de 10%. As representam 1,4% da produção estadual (7 mil t).

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