Curitiba - As perdas nos supermercados brasileiros atingiram 2,33% do faturamento em 2009. A Avaliação de Perdas no Varejo Atacadista Brasileiro Supermercadista elaborada pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras), em parceria com a Nielsen e GPP/Provar-FIA mostra que a principal causa de perdas para o setor continua sendo as quebras operacionais. De acordo com a pesquisa, esse item foi responsável por 51,50% das perdas dos supermercados. Já os furtos - tanto externos quanto internos - representaram 28,30% das perdas. Os produtos perecíveis tiveram índice de perdas de 4,07%.
Os cinco produtos mais furtados foram bebidas destiladas e fermentadas (12%), chocolates (11%), aparelhos e lâminas de barbear (10%), carnes (7%) e desodorantes (6%). O presidente da Abras, Sussumu Honda, disse que as perdas são maiores que as margens de lucro que ficaram em 2,30% em 2009. ''As perdas prejudicam todos os agentes da cadeia econômica, desde os produtores até os varejistas e, principalmente, a própria sociedade'', alertou.
O levantamento mostra ainda que os supermercados estão investindo para reduzir o problema. De acordo com dados da Abras, houve investimento em prevenção em 69,6% das empresas. Do total de investimentos, 50% foram destinados para salários próprios, 25,30% para equipes terceirizadas, 13,40% para compra de equipamentos e 11,10% para a contratação de serviços terceirizados.
Em termos de equipamentos, 87,20% das empresas possuem circuito fechado de TV, 85,70% contam com rádios comunicadores, 81,40% têm alarme de acesso, 73,50% usam coletor de dados para inventário e 72,20% possuem cofre boca-de-lobo.
O superintendente da Associação Paranaense de Supermercados (Apras), Valmor Rovaris, disse que as perdas nacionais de 2,33% refletem a mesma situação que acontece no Paraná.
Furtos internos
Segundo Rovaris, os furtos internos também são bastante significativos. Geralmente, os produtos preferidos são os de tamanho menor e que são facilmente revendidos com lâmina de barbear e bateria. Por parte dos consumidores também são comuns situações como trocar a etiqueta de uma carne mais cara por outra mais barata.
Ele contou que surgiram várias tecnologias para inibir os furtos como câmeras e etiquetas contra furto, além da presença de seguranças nas lojas.
Para evitar perdas de perecíveis, os produtos são pré-embalados, o que também evita o contato, além de trazer mais qualidade e higiene. Outros recursos que têm sido usados são a refrigeração mais bem preparada, além da melhora da logística e do transporte.
Rovaris acredita que se não ocorressem as perdas, os produtos poderiam ser mais baratos para o consumidor final. Ele admite que os supermercados calculam as perdas e incluem esses prejuízos nos preços dos produtos. ''O consumidor tem vaga consciência de que isso é repassado para ele.''
Segundo ele, em caso de furto, a abordagem tem que ser fora da loja, porque o suposto cliente pode alegar que ainda iria pagar o produto no caixa antes de sair do local.
''Tenho consciência que os furtos e produtos estragados são repassados para os preços'', disse o professor Marcelo Dudeki. Ele lembrou que é comum ver mercadorias como carne e iogurte deixados pelos consumidores fora da refrigeração. ''Acho triste repassar as perdas para o consumidor. Já tem a inflação que deixa os produtos mais caros todo mês'', afirmou a técnica de enfermagem Erleine Bissi Martins.
''Eu não tinha parado para pensar que os supermercados repassam as perdas. Considero ruim a atitude de estragar e furtar produtos. Quem paga é geralmente quem não faz isso e vai ao mesmo supermercado sempre'', disse a dona de casa Judite de Camargo Farias Furtado. ''Tenho consciência que os supermercados repassam esses custos'', afirmou o corretor de seguros Vanderley Mezari. Ele defende que as redes supermercadistas deveriam achar formas de diminuir as perdas. Mas, também destacou que para alguns consumidores ''falta educação que vem do berço, respeito e bom senso''.


FIQUE SABENDO
Causas das perdas nos supermercados
Quebra operacional 51,5%
Furto externo 14,3%
Furto interno 14%
Fornecedores 9,1%
Erros
administrativos 8,7%
Outros ajustes 2,3%
Fonte: Abras

mockup