Perdas no café podem chegar a 7 milhões
Fabíola Salvador
Agência Estado
A seca registrada nas regiões produtoras de café do Brasil deve resultar em perda de 7 milhões a 11 milhões de sacas na safra 2000/2001, segundo Sônia Milagres Teixeira, supervisora de safra da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que faz parte da equipe de Antônio Nassif, técnico responsável pela estimativa oficial do governo. As previsões do mercado, antes dos problemas climáticos, eram de produção de aproximadamente 40 milhões no ano-safra.
Segundo ela, a previsão para 2000/2001, que ainda não é oficial, leva em conta dados enviados pelas cooperativas de produtores à Embrapa. Pelas informações que recebemos das cooperativas, a situação é mais grave na Zona da Mata, onde houve uma florada, mas ela foi abortada por causa da seca, afirmou a supervisora.
Técnicos de cooperativas de cafeicultores de São Paulo, Paraná e Espírito Santo informaram à Embrapa que se chovesse em outubro as perdas não seriam tão grandes. Técnicos da Embrapa sairão a campo ainda neste mês para elaborar um primeiro levantamento para a safra 2000/2001 e revisar ou confirmar a estimativa para 99/2000, prevista em 24,78 milhões de sacas. A estimativa oficial do Ministério da Agricultura, elaborada pela Embrapa, deve ser divulgada no começo de dezembro. O presidente da Cooperativa dos Cafeicultores da Região de Franca (Cocapec), David Sebastião Ferreira, espera perda de mais de 11 milhões de sacas na safra 2000/2001. Levando em conta uma safra de 40 milhões de sacas, estamos esperando perda de 30%, afirmou. Estimativas que circulam no mercado externo indicam perda de 25%.
Crédito O mercado cafeeiro começa a semana na expectativa da liberação de recursos do governo para retenção dos estoques em mãos de particulares - indústrias beneficiadoras, coopereativas e agricultores. O Tesouro informou que verba específica para estas operações mas o Conselho Deliberativo da Política Cafeeira (CDPC) está providenciando a transformação de débitos do setor em financiamento à pré-comercialização.
Foi o próprio ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, quem anunciou, na semana passada, durante reunião do CDPC, que o débito de R$ 260 milhões referente ao custeio e colheita da safra 1998/99 será transformado em pré-comercialização com vencimento em 180 dias e obrigatoriedade de amortização de 50% em 90 dias. Essa medida, conforme ele, permitirá a retenção de cerca de 2,6 milhões de sacas de café.
Somado este valor aos R$ 200 milhões já destinados à pré-comercialização - dos quais faltam apenas US$ 60 milhões que deverão ser liberados imediatamente - será possível reter 4 milhões de sacas de café (Agência Estado, Gecy Belmonte). Com relação ao débito vencido em 30 de setembro, de cerca de R$ 130 milhões, Pratini disse que ainda não há uma decisão, mas que está tentando negociar a inclusão desta dívida nas operações tratadas pela medida previsória que reviu a dívida agricultura.
O ministro Pratini também explicou que a partir de abril do ano 2000 serão colocados à disposição dos cafeicultores R$ 600 milhões para serem usados em empréstimos de pré-comercialização que deverão permitir a retenção de cerca de 6 milhões de sacas da safra 2000/2001, que tem início em maio. Queremos ordenar a oferta do café e a liberação destes recursos será gradual, conforme o mercado, disse. O objetivo é evitar que os cafeicultores tenham que vender o produto e derrubar os preços internacionais de café. O ministro também anunciou que o governo vai estimular a venda futura de café.
Para tanto, serão ofertados R$ 80 milhões em CPRs. Como medida adicional, o ministro informou que R$ 20 milhões serão utilizados para a implementação do Fundo de Futuros de Café que terá como objetivo garantir operações de margeamento ou de hedge e assim minimizar as perdas com a oscilação futura do preço do café. O governo também pretende, segundo o ministro, financiar a colheita do ano-safra 2000/2001 para mini e pequenos produtores em caso de disponibilidade de recursos do Funcafé no equivalente a 2/3 do orçamento do fundo.
O ministro informou ainda que será implementado imediatamente um programa de troca de café de estoques oficiais com as indústrias de café solúvel visando estimular as exportações do produto em valor agregado. Segundo o secretário de produção e comercialização do Ministério da Agricultura, Paulo Samico, isto significa que a indústria do café solúvel poderá tomar 1 milhão de sacas dos estoques atuais e pagar daqui há dois anos com café novo.
Ele explicou que este programa já vinha sendo desenvolvido há dois anos e que agora a diferença é que em vez de pagar com recursos, a indústria de solúvel terá que pagar com produto. Com este mecanismo, o governo irá renovar os estoques. Samico disse também que os leilões serão mantidos. O adicional de exportação que o governo espera gerar com esta medida é de US$ 120 milhões.
Segundo Pratini de Moraes, o governo vai financiar a colheita do ano-safra 2000/2001 para mini e pequenos produtores em caso de disponibilidade de recursos do Funcafé no equivalente a 2/3 do orçamento do fundo. O ministro informou ainda que será implementado imediatamente um programa de troca de café de estoques oficiais com as indústrias de café solúvel visando estimular as exportações do produto em valor agregado. Segundo Paulo Samico, isto significa que a indústria do café solúvel poderá tomar 1 milhão de sacas dos estoques atuais e pagar daqui há dois anos com café novo.
LEITURA DINÂMICA
- Dados sobre a seca não são definitivos; novos levantamentos talvez não confirmem estimativas atuais,
- Perdas maiores estão em Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo. Paraná não confirma esse nível de danos,
- Decisão sobre conversão da dívida em crédito de custeio não inclui contratos vencidos em 30 de setembro,
- Intenção do governo é financiar a colheita do ano-safra 2000/2001, para mini e pequenos produtores,
- Será implantado programa de troca de café de estoques oficiais com indústrias de solúvel para estimular exportação,
- Indústria de solúvel pode pegar 1 milhão de sacas do governo e pagar daquia a dois anos,
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Ele explicou que este programa já vinha sendo desenvolvido há dois anos e que agora a diferença é que em vez de pagar com recursos, a indústria de solúvel terá que pagar com produto. Com este mecanismo, o governo irá renovar os estoques. Samico disse também que os leilões serão mantidos. O adicional de exportação que o governo espera gerar com esta medida é de US$ 120 milhões.
O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), Sergio Coimbra, disse que a deverá permitir que as empresas façam um planejamento de médio prazo e aumentem as exportações. Ele disse que as 1 milhão de sacas, deverão ser liberadas em 14 meses, com 70 mil sacas mensais. Em troca desse produto, segundo Coimbra, o setor compromete-se a elevar a receita das exportações de US$ 300 milhões para US$ 400 milhões em 2000.





