Perdas na feijão passam de R$ 20 milhões
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terça-feira, 03 de setembro de 2002
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
FN62>Curitiba As geadas voltaram a castigar as lavouras paranaenses na madrugada de ontem e agravar as perdas da agricultura no Estado. Os prejuízos dos produtores de feijão já puderam ser contabilizados e devem chegar a R$ 20,2 milhões com a perda de 55% da área plantada, o que corresponde a cerca de 68,7 mil hectares (ha). As regiões mais prejudicadas são Ponta Grossa, com perda de 25 mil ha, Guarapuava, 6 mil ha, Francisco Beltrão 9,6 mil ha, Ivaiporã, 16,16 mil ha e Cascavel 8,5 mil ha.
As culturas de trigo e cevada, também afetadas pelas baixas temperaturas dos últimos dias, de acordo com o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab), são as que apresentarão maior percentual de quebras. Balanço parcial dos prejuízos nessas lavouras deverá ser apresentado somente na semana que vem. A engenheira agrônoma, Vera Zardo, explica que são necessários, pelo menos, 10 dias para poder avaliar o estrago provocado pelo frio nessas plantações. Foram atingidas, ainda, lavouras de triticale, aveia, fruticultura, tomate e hortaliças em geral, pastagens e milho (safra 2002/2003).
O Deral estima que aproximadamente 70% das lavouras de trigo do Paraná estão suscetíveis à perdas, ou o equivalente a 735 mil ha. Desse total, pelo menos 500 mil ha foram atingidos pelas geadas. As quebras de produção variam conforme a região. As perdas serão mais significativas nas regiões Sul e Sudoeste do Estado, onde as geadas foram ainda mais intensas do que as ocorridas na última segunda-feira.
Segundo informações do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), em Palmas, no Sudoeste do Estado, os termômetros marcaram 3,1 graus negativos. Em Palotina, no Oeste, a temperatura mínima registrada foi de -1,5 grau e em Telêmaco Borba, no Centro-Sul do Estado, 0,8 grau abaixo de zero. Nas demais regiões Oeste, Centro-Oeste e Noroeste as geadas foram mais fracas.
O analista de comercialização da Central Atacadista de Hortifrutigranjeiros (Ceasa), em Curitiba, João Veiga, disse que hoje será possível perceber se os prejuízos decorrentes das geadas serão repassados para os preços. Até ontem, o produto que havia apresentado maior alta tinha sido a abobrinha, que subiu de R$ 12,00 para R$ 18,00 a caixa de 18 a 23 quilos. O aumento, no entanto, segundo Veiga, é atribuído mais à alta no valor do frete do que ao dano causado pelas geadas, já que o produto vem de outros estados.
Veiga não tem dúvida de que os produtores da Região Metropolitana de Curitiba que tiveram prejuízos por causa do frio terão que rever os preços. Outros produtos que apresentaram ligeira alta na Ceasa foram o chuchu, que aumentou de R$ 7,00 para R$ 8,00 a caixa, a couve-chinesa, que passou de R$ 7,00 para R$ 9,00 e a vagem, que subiu de R$ 20,00 para 22,00.


