Os sojicultores brasileiros devem deixar este ano nas lavouras cerca de R$ 540 milhões por causa da falta ajustes adequados das colhedoras e excesso de velocidade durante a operação. A previsão é de pesquisadores da Embrapa-Soja, em Londrina, que desenvolveram uma tecnologia para reduzir as perdas durante a colheita.
Segundo levantamento da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o País deve colher nesta safra 33 milhões de toneladas do soja, um acréscimo de 6,46% sobre a safra passada, quando foram colhidas 31 milhões de toneladas. Segundo o pesquisador da Embrapa-Soja, Nilton Pereira da Costa, estes valores poderão ser reduzidos em 6%, caso os produtores não façam ajustes necessários em suas máquinas. ‘‘Estima-se que na colheita os agricultores percam mais de duas sacas/hectare, o que representa um prejuízo de 27 milhões de sacas ou o equivalente a R$ 540 milhões’’, alerta Costa.
O pesquisador afirma que 80% do desperdício de grãos nas lavouras é provocado pelos equipamentos da plataforma de corte da colhedora. Costa recomenda aos produtores a contratação de técnicos capacitados para regular as máquinas, antes de iniciar a colheita.
Outro fator que contribui para aumentar as perdas durante a colheita é a operação da máquina em velocidade inadequada. ‘‘A velocidade é um parâmetro fundamental para evitar perdas. Mas o produtor ainda conserva a cultura de colher rápido para vender logo e aproveitar os preços’’, comenta. Segundo o pesquisador, estudos indicam que a velocidade ideal da colhedora deve variar entre 4 e 6 km/h, o que permite corte da planta pelas navalhas e não por raspagem.
A pressa na hora de colher e a falta de regulagem da máquina também pode provocar perda da qualidade da soja com a quebra do grão. Costa afirma que estes dois fatores podem levar a perdas entre 10% e 13% do volume a ser colhido. Segundo o pesquisador, a idade da máquina não interfere do volume deixado nas lavouras. ‘‘Não adianta o produtor utilizar uma máquina nova. Se ela estiver desregulada, a perda vai ser a mesma de uma máquina antiga e desregulada’’, comenta.

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