As perdas de hortifrutigranjeiros desde a propriedade até o varejo acarretam um prejuízo anual de 600 mil toneladas, num valor estimado de R$ 300 milhões. Os supermercados participam com 10% desse total, conforme levantamento feito pela Ceasa. Só com o tomate foi registrada a perda de 32% sobre o volume comercializado no ano passado, entre o transporte da mercadoria e a comercialização, informou o presidente da Associação Paranaense de Supermercados, Rui Senff.
Os dados foram apresentados ontem durante lançamento do ‘‘Programa Estadual de Melhoria da Qualificação de Produtos Hortícolas no Paranᒒ, pelo secretário da Agricultura e do Abastecimento, Antônio Poloni. Senff participou do lançamento, destacando a necessidade de os produtores mudarem o sistema de embalagens, para evitar o manuseio dos produtos, um dos fatores responsáveis por essas perdas.
Ele disse que a tendência do mercado varejista é substituir as antigas caixas de madeira, por modernas caixas de plástico lavável ou então, de papelão, descartáveis. O diretor da Ceasa, Julio Minioli Netto, concordou com a posição do supermercadista e acrescentou que as embalagens de madeira são inadequadas e prejudicam a qualidade de muitos produtos, porque favorecem a proliferação de fungos e bactérias.
Os supermercados compram 65% da produção de hortifrutigranjeiros produzidos pelos 30 mil produtores existentes no Estado. Segundo Minioli, somente 5% já introduziram embalagens padronizadas e sistema de classificação na produção. O restante serão motivados a partir do programa de melhoria da qualificação dos produtos. Para se ter uma idéia da importância desse segmento, 10% do faturamento dos supermercados corresponde à venda de produtos hortifrutigranjeiros, afirmou.
Para Senff, além da padronização e classificação das verduras, frutas e legumes, os produtores precisam desenvolver uma técnica para produzir esses produtos com mais sabor. Ele salientou que o consumidor não se importa em pagar mais, desde que os produtos sejam realmente saborosos e de qualidade. A embalagem também conta muito na apresentação dos produtos. Segundo o presidente da Apras, os produtos hidropônicos que têm embalagem especial e os ‘‘Fresh Salad’’, embalados com gazes de atmosfera modificada foram bem aceitos pelos consumidores.
Os técnicos da Ceasa, Emater e Seab, sugerem que a padronização das embalagens comece pela Ceasa de Curitiba, estendendo-se depois para as unidades de Cascavel, Foz do Iguaçu, Maringá e Londrina. O trabalho também será desenvolvido junto aos produtores, fabricantes de embalagens, mercados atacadistas oficiais e privados, mercados varejistas, redes de supermercados, feiras e mercados municipais.
Para o secretário Poloni, os produtos hortifrutigranjeiros importados estão ocupando cada vez mais espaço nas prateleiras dos supermercados e na preferência do consumidor. Esse comportamento revela que existe um mercado consumidor em potencial, mas ele não está sendo devidamente explorado por falta de produtos de qualidade e de modernização do sistema de distribuição.
O secretário lançou o programa estadual de melhoria da qualificação de produtos hortícolas no Paraná, ontem, durante a Feira do Paraná, pensando no envolvimento dos produtores.

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