São Paulo - O cenário começou a virar até mesmo para as commodities agrícolas, que até há um mês estavam em queda. A estiagem no Sul do País provocou perda nas lavouras de milho e reduziu as expectativas da produção de soja inicialmente prevista. Na média deste ano, o preço do grão deve ficar entre 12% a 15% acima do de 2004, estima a consultoria. No caso da soja, a cotação do grão já subiu 18% desde o fim de fevereiro.
''O quadro preocupa'', diz o economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa. Ele observa que a quebra da safra de milho tem efeito multiplicador sobre os preços porque afeta diretamente o custo de produção do frango que, por sua vez, e arrasta outras carnes. ''No varejo esse efeito ainda não apareceu'', diz ele. No atacado, no entanto, o movimento de alta foi captado.
Na segunda prévia de março, o Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) ficou em 0,55%, ante 0,22% da segunda prévia de fevereiro. O indicador foi puxado pela aceleração dos preços no atacado, de 0,09% para 0,55%, sobretudo pela alta dos produtos agropecuários que ficaram 2,17% mais caros no período.
Rosa destaca que o maior fator de pressão está no petróleo. ''Mesmo que o BC trabalhe com a expectativa de reajuste zero para a gasolina, conforme foi explicitado na ata da última reunião do Copom, o preço local dos combustíveis está abaixo da cotação no mercado internacional. ''Aumentou o risco. A inflação deste ano medida pelo IPCA está mais para 5,5% a 6%'', observa o economista-chefe da LCA Consultores, Luís Suzigan. Ele acredita, porém, que os fatores de pressão são transitórios e não deverão levar a um descontrole da inflação. Concorda com os demais economistas que a alta das commodities não-agrícolas preocupa mais do que a das agrícolas, especialmente por conta do crescimento da China que se encontra em fase de urbanização. Segundo ele, a safra de grãos do Centro-Oeste poderá compensar as perdas do Sul. (AE)

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