Curitiba O Paraná deixará de colher 2,7 milhões de toneladas na safra atual, por conta da escassez de chuvas nos últimos dois meses: a pior seca do período nos últimos 10 anos. A previsão inicial para a safra de grãos, de 28,2 milhões, deve sofrer uma quebra de 9,46%, o que representa um prejuízo para a economia do Estado de mais de R$ 1,1 bilhão. Em relação ao valor bruto da produção (VBP) registrado em 2004, a redução é de 10,7%.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), apresentados ontem pelo secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, em exercício, Newton Pohl Ribas, a redução na produtividade da soja é responsável por 83,3% dessa projeção. Até o momento, a quebra estimada para a cultura é de 16,26%, caindo de 12,4 milhões de toneladas para 10,4 milhões de toneladas. Perto de 16,2% da produção foram colhidos. Já a produção do milho responde por 10,6% da previsão de quebra da safra total. A redução no milho normal e do safrinha deve ser de 3,92% e 6,39%, respectivamente.
A região mais crítica é a de Francisco Beltrão (sudoeste do Estado), onde 25 municípios decretaram estado de emergência por causa da seca. O volume de chuvas, em fevereiro, foi inferior a 20 milímetros. Na lavoura, as perdas mais significativas são na soja (-46,8%), no milho 1 safra (-22,9%) e no feijão da seca (-47,1%). A produção de leite também ficou comprometida, com uma redução estimada de 11,5%. Também registram prejuízos com a soja as regiões de Cascavel (-13,2%), Campo Mourão (-22,23%), Toledo (-16,4%) e Jacarezinho (-12,7%).
O chefe da regional da Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento, em Francisco Beltrão, Carlos Alberto Wust da Silva, disse que a região reúne perto de 35 mil propriedades rurais, sendo a maioria delas (cerca de 90%) com áreas inferiores a 50 hectares. Segundo ele, em municípios como Barracão e Bom Jesus, que fazem fronteira com a Argentina, a situação é ainda mais crítica, pois há propriedades onde a produção foi totalmente comprometida.
Em volume, a perda da safra de soja, segundo Silva, é de 312,3 mil toneladas. No caso do milho safrinha, o prejuízo, em termos percentuais, é ainda maior: 64,9% ou uma redução de 176 mil toneladas. A participação da regional de Francisco Beltrão na colheita estadual da soja fica entre 6% e 15%; no milho normal, entre 51% e 90%; e no milho safrinha, entre 41% e 80%.
Para o secretário em exercício, a situação do Paraná não é mais grave por causa dos investimentos pelos produtores em microbacias, terraceamento, curvas de nível e no plantio direto que, no caso da soja, atinge mais de 70% das 350 propriedades rurais e, do milho, mais de 50%.

mockup