Perdas com geadas somam R$ 1,26 bilhão no Paraná
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013
Victor Lopes<br>Reportagem Local 
Passado um período de quase três semanas da geada que atingiu o Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), divulgou ontem os números oficiais de perda das lavouras paranaenses. As principais culturas afetadas foram café, trigo e milho, com quebras de 62%, 33% e 8%, respectivamente. Em valores, os prejuízos representam R$ 1,26 bilhão: as perdas ultrapassam R$ 1 bilhão para a safra 2012/13 em relação ao milho e trigo e R$ 253 milhões para a próxima safra do café.
Os agricultores paranaenses esperavam colher mais de 38,3 milhões de toneladas de grãos na safra 2012/13, mas na avaliação do Deral, com as geadas, esse valor deve ficar em torno de 36,3 milhões de toneladas. "Teremos redução de cerca de 5% do estimado. Mesmo assim, ainda teremos a maior produção da história do Estado", disse o secretário estadual da Agricultura e Abastecimento, Norberto Ortigara, em entrevista coletiva ontem pela manhã na capital.
Além da geada do dia 24 de julho, o clima chuvoso de junho também atrapalhou a produtividade e potencializou os prejuízos do produtor. Uma das situações mais complicadas é a do trigo, que terminou de ser plantado em 22 de julho. Dois dias depois, a geada devastou a cultura. Da área total, 47% estava germinando ou em desenvolvimento vegetativo, fases não suscetíveis a geadas. O restante estava em floração, frutificação ou começo de maturação. Nestas lavouras, houve danos significativos, com a estimativa de produção caindo de 2,89 milhões de toneladas para 1,94 milhão de toneladas, queda de 33%, e prejuízos de R$ 728,8 milhões.
As principais perdas da cultura do trigo estão concentradas nas regiões de Cascavel, Campo Mourão, Ivaiporã e Apucarana. Essas áreas somadas representam 60% do total atingido. Tais perdas restringiram a disponibilidade interna esperada pelos compradores para agosto, afetando os preços. Além da oferta restrita, a alta do dólar também contribuiu para o encarecimento do custo de produção de farinha nos moinhos, que atualmente têm buscado matéria-prima, principalmente, no mercado norte-americano.
"No caso do trigo, não havia nada colhido até o momento. Por isso, mesmo antes dos números oficiais, já houve aumento nos preços, até porque a produção é pequena. Antes da geada, o valor da saca de 60 kg estava em R$ 42 e após o evento saltou para R$ 45,30, uma elevação de 8%", explica e engenheira agrônoma do Deral, Juliana Yagushi.
Diferentemente do trigo, nas lavouras de milho os prejuízos foram menores. Apenas 388 mil hectares, ou 25% das lavouras da segunda safra, estavam na etapa mais suscetível ao efeito da geada. Portanto, a queda deve ser de 11,6 milhões de toneladas para 10,6 milhões, prejuízo de R$ 278 milhões. As regiões mais atingidas na cultura foram Londrina, Jacarezinho e Cornélio Procópio, com mais de 20% de redução em relação à produção inicialmente estimada. "O que mais preocupa os agricultores paranaenses é a baixa qualidade do produto colhido. As cooperativas costumam descontar no montante se os grãos estão avariados. Por exemplo, se de 100 sacas entregues, 10% são de grãos avariados, eles vão pagar apenas por 90 sacas. Em relação aos preços, não acredito que haja repercussão no caso do milho", explica a especialista do Deral.

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