Perdas com estiagem já somam R$ 380 mi no PR
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quinta-feira, 12 de janeiro de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A estiagem já causa perdas de cerca de R$ 380 milhões à agricultura paranaense, segundo estimativa do Departamento de Economia Rural (Deral), órgão ligado à Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab). Por enquanto, as culturas mais atingidas são o milho e a soja, que registram perdas na produção de 13% e 3%, respectivamente. A estimativa do Deral foi realizada sobre uma média dos preços atuais das duas commodities. O Sudoeste do Estado é a região mais prejudicada pela seca. A Região Norte ainda não foi atingida.
A expectativa inicial do Deral era colher 8,83 milhões de toneladas de milho na primeira safra. No Sudoeste, a quebra já é de 34% do total da produção. No entanto, na região de Francisco Beltrão, a estimativa do Deral é que já foram perdidos cerca de 50% do potencial produtivo. Nas demais regiões do Estado as perdas foram menores, mas também são significativas. No Centro-Oeste, por exemplo, o índice é de 22%, seguido pelo Oeste (13%), Sul (11%) e Norte (2%).
Essa perda ocorreu porque faltou chuva durante a fase de floração do milho, em dezembro, o que prejudicou a formação do grão. Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Otmar Hubner, a falta de chuvas também dificulta o plantio do milho safrinha e do feijão da seca, que já poderia ter sido iniciado. ''Mesmo que chover agora, a produção do milho não será recuperada. As chuvas apenas evitariam perdas ainda maiores'', afirma.
O levantamento do Deral indica ainda que o maior prejuízo com a soja também ocorre na região de Francisco Beltrão. No geral, o Sudoeste e o Centro-Oeste já acumulam perdas de 8% cada um, sobre o total plantado. Na região Oeste, a quebra é de 3% e no Sul, 1%. O Sudoeste e o Centro-Oeste respondem por 25% do total da safra paranaense. A região Norte tem a maior área plantada de soja e responde por 27% do total da produção.
A situação das lavouras, no geral, pode melhorar neste final de semana. O Sistema Meteorológico do Paraná (Sismepar) prevê chuvas praticamente em todo o Estado. De acordo com o Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), a estiagem ameaça a produtividade de culturas anuais, uma vez que a maioria delas está em períodos de desenvolvimento, como a floração e a formação de vagens e espigas. A seca também afeta as pastagens. O Deral informa ainda que as altas temperaturas registradas prejudicam a qualidade das verduras, embora a maior parte da produção estadual seja cultivada com irrigação.


