Perdas com ações da Sanepar
podem chegar a R$ 1 milhão
Sucursal de Curitiba
A Prefeitura de Londrina deixou de ganhar pelo menos R$ 600 mil na venda das ações da Sanepar. O prejuízo ocorreu por causa de uma operação de venda feita fora da Bolsa de Valores do Paraná (BVP), no último dia 25 de setembro. A prefeitura fez leilão próprio e conseguiu vender as ações por R$ 0,41 cada uma. Se tivesse optado pela Bolsa, poderia ter conseguido R$ 0,52 por uma ação, preço verificado dois dias após o arremate do lote.
O cálculo estimado do prejuízo foi feito ontem pelo superintendente da Bolsa de Valores do Paraná, Amauri Stocchero. Ele mostrou que a prefeitura colocou à venda 5,3 milhões de ações e que deixou de ganhar R$ 0,11 em cada uma. Os números finais da operação ainda não foram calculados e é possível que o prejuízo tenha sido maior. ‘‘Talvez a perda chegue próxima a R$ 1 milhão’’, afirmou o superintendente.
Amauri Stocchero disse ‘‘estranhar’’ a operação realizada pela prefeitura. Nos quase 400 leilões feitos pelas prefeituras de todo o Estado para vender ações da Copel ou Sanepar, apenas um grupo entre 10 e 15 prefeitos optou por leilões próprios ao invés da BVP. ‘‘O nosso procedimento é mais transparente e permite reunir maior número de compradores’’, afirmou Stocchero.
Um dos últimos casos de leilão próprio aconteceu no município de Maringá. A prefeitura colocou a venda 8 bilhões de ações, em meados de abril. Segundo Stocchero, as ações também foram comercializadas abaixo do preço. Ele não soube dizer os números do prejuízo. Já no município de Umuarama, cada ação da Sanepar foi vendidas pela BVP por R$ 0,11 a mais que as de Londrina. O leilão das ações de Umuarama aconteceu nove dias antes da operação de Londrina.
Em todos os casos, onde as prefeituras optaram pelo leilão próprio a Bolsa de Valores tentou convencer os prefeitos que o processo poderia trazer prejuízo. O prefeito Luiz Eduardo Cheida e o secretário de Administração, João de Araújo, receberam cartas que alertavam sobre o risco de perda. O presidente da BVP, José Eduardo Alves Ferreira, disse que não teve resposta do prefeito. ‘‘Fomos ignorados. Não tivemos qualquer tipo de resposta’’, afirmou ontem.
As ações de Londrina foram vendidas para um único comprador, a empresa J. Ribeiro Imóveis Ltda. Ele arrematou o lote por R$ 2,2 milhões. Cada ação foi vendida por R$ 0,11 a mais que o preço mínimo de R$ 0,30, estipulado no edital de convocação.
A Bolsa de Valores do Paraná ganharia 2,2% sobre o total de ações vendidas. Além dessa despesa, a prefeitura teria de pagar cerca de 1% para a corretora que intermediasse a operação e mais R$ 317,00 para a publicação de editais.

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