Este ano a safra de inverno frustrou ainda mais os produtores rurais, que já estavam desestimulados com a safra anterior, que também registrou quebras em função de clima. A produção de aveia branca e preta, canola, centeio, cevada, trigo e triticale da safra 98 caiu 9,17% em relação à anterior, que correspondeu à perda de 185 mil toneladas de grãos. Com essa redução no volume de produção, o prejuízo com as culturas de inverno atinge R$ 73,2 milhões, só com a perda física de produtos, sem falar na redução de preço em função da baixa qualidade.
‘‘Hoje o ânimo dos produtores está em baixa, principalmente aqueles que não podem recorrer à cobertura do Proagro. No ano passado as culturas de inverno também tiveram perdas em função de chuvas, mas este ano a situação foi mais grave’’, disse a técnica do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, Vera Zardo. A cultura mais afetada foi o trigo, que este ano já apresenta quebra de 18%.
O Deral continua avaliando o comportamento da cultura até o encerramento da colheita. ‘‘No ano passado, a safra apresentou quebra de 17% em relação a 96’’, comparou. A safra 96/97 também foi prejudicada pelas chuvas, mas elas ocorreram entre os meses de outubro e novembro, período de final de colheita.
Comparando o desempenho da safra de inverno com a estimativa inicial feita pelo Deral, a queda na produção é de 20%. Segundo Vera, as expectativas com as culturas eram boas e as condições de clima estavam normais, que apontavam para uma produção de 2,2 milhões de t. Se esta previsão fosse confirmada, o aumento da produção seria de 12% em relação ao ano passado.
Comercialização A quebra na produção de trigo no país soma 500 mil t. Além disso, estão ocorrendo quebras na produção de trigo na Argentina, Austrália e Rússia, o que fez os preços reagirem no mercado internacinal. O trigo importado da Argentina aumentou de US$ 105,00 a tonelada para US$ 140 a tonelada nos últimos 40 dias. ‘‘Mas esse aumento ainda não chegou ao produtor, para quem o trigo ainda está cotado abaixo do preço mínimo’’, disse Flávio Turra, técnico da Ocepar. O reflexo dessa reação nos preços foi uma disputa maior entre os moinhos nos leilões do Prêmio de Escoamento do Produto (PEP) e o prêmio caiu de R$ 24,00 para R$ 12,35 no último leilão.
Para que os produtores tenham acesso a melhores preços, durante a fase de pós-colheita, a Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Federação da Agricultura do Paraná (Faep) e Secretaria da Agricultura estão reivindicando a liberação de recursos para EGF para o trigo. Com isso, os produtores poderiam armazenar a safra e comercializar no período de entressafra, quando os preços reagem.Arquivo FolhaColheita frustradaA cultura mais afetada foi o trigo, que este ano já apresenta quebra de 18%Vânia Casado

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