Após a correção de valores dos títulos, que fez sumir das carteiras dos fundos R$ 2,405 bilhões, segundo o Banco Central, a aplicação ganhou maior volatilidade (oscilação das cotas). Em uma situação de forte instabilidade, como a que varre o mercado financeiro, os fundos podem ter rendimento negativo, diz o professor do Laboratório de Finanças da Universidade de São Paulo (USP), Ricardo Humberto Rocha.
Para Rocha, a maioria dos aplicadores nunca teve conhecimento do risco que corria ou da necessidade de alinhamento constante do valor dos papéis aos preços do mercado.
A diretora-técnica do Instituto Brasileiro de Certificação de Planejadores Financeiros (IBCPF), Márcia Dessen, diz que a ocorrência de inesperada perda pode aumentar o interesse do investidor pelo rumo de seus recursos. ‘‘O investidor despertou e percebeu que qualquer aplicação embute risco.’’
O diretor-superintendente do HSBC Investment Bank, Luis Eduardo Assis, acredita que a oscilação seja passageira, mas que os investidores agora devem observar o rendimento dos fundos em períodos e não mais diariamente, por causa do aumento da volatilidade. ‘‘Em prazos maiores, o desempenho dos fundos deverá ser mantido.’’
Seja como for, muitos investidores não hesitaram em abandonar os fundos. Para o analista de uma corretora, deixaram os fundos os investidores de instituições que não tiveram a preocupação de explicar aos clientes que a melhor opção no momento é permanecer no fundo. Os fundos de renda fixa e DI, porém, terão de apresentar bom desempenho para reconquistar aplicadores.

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