Perdão do BID a dívidas de países pobres não sai antes de 2007
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quarta-feira, 05 de abril de 2006
Raquel Massote<br>Agência Estado 
Belo Horizonte - O ministro do Planejamento e governador do Brasil no Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Paulo Bernardo, vai presidir um comitê na instituição para estudar o perdão das dívidas dos países mais pobres da região. Com a decisão de criar o comitê, um dos principais temas da pauta da reunião Belo Horizonte, encerrada ontem, só deverá ter uma definição na próxima reunião anual do BID, em Honduras, em 2007.
A dívida total chega a US$ 3,5 bilhões com o chamado Fundo de Operações Especiais (FOE) e envolve Honduras, Guiana, Nicarágua, Haiti e Bolívia. Bernardo, este ano, será o presidente das assembléias de governadores da instituição e ressaltou que a posição do Brasil, neste caso, será criar garantias para que fundo continue em condições de operar.
''Se for feito pura e simplesmente o perdão, o fundo perderá de 35% a 40% do volume de recursos'', afirmou. Ele defendeu que o BID adote a mesma linha do G-8, que apresentou proposta de perdão das dívidas de países pobres com o Banco Mundial (Bird) e Fundo Monetário Internacional (FMI).
''Os países do G-8 mostraram uma proposta de perdão, mas fizeram o ressarcimento dos recursos correspondentes. Esse seria um ponto que tem um amplo apoio, para não prejudicar os outros países pobres que não terão perdão'', disse.
Para Luis Alberto Moreno, presidente do BID, ''esta não é uma discussão fácil, como não foi fácil nas outras instituições multilaterais''. O perdão interessa particularmente à Bolívia, que tem uma dívida de US$ 1,6 bilhão com o fundo, segundo revelou no último final de semana o ministro da Fazenda boliviano, Luis Alberto Arce Catacora.


