Perdão da dívida custaria R$ 18 bi
Mariângela Herédia
Agência Estado
O ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, disse ontem que a proposta de renegociação das dívidas do setor rural aprovada quarta-feira por unanimidade na Comissão de Agricultura da Câmara, provocará um rombo de R$ 18 bilhões nas contas do Tesouro ao longo de 20 anos, apenas com o desconto de 40% dos débitos totais. A proposta tem um custo elevadíssimo e é inviável, avaliou.
Pratini fez duas reuniões ontem no ministério com representantes da comissão de Agricultura para tentar uma negociação e, segundo o coordenador da bancada ruralista, deputado Augusto Nardes (PPB-RS), o ministro acenou com um desconto de 10% nas dívidas. Isso é muito pouco e, assim não haverá acordo, afirmou.
Na segunda reunião com o ministro, à noite, alguns deputados ruralistas saíram antes do final, prometendo conseguir apoio na Câmara para votar a urgência do projeto na terça-feira e aprová-lo em plenário na quarta.
Contag apóia Ontem à tarde, o ministro recebeu o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Manoel dos Santos, que foi pedir apoio do governo ao projeto de renegociação das dívidas aprovado na Comissão de Agricultura. O responsável pela aprovação desse projeto é o governo, que há muito tempo tem se negado a negociar o endividamento dos produtores.
Safra Pratini informou ainda que o governo tentará
negociar até o ponto que a agricultura realmente necessita para voltar à atividade, e admitiu a possibilidade de queda da safra de grãos, pois, segundo ele, pequenos, médios e grandes produtores, responsáveis por cerca de 30% da produção, estão com problemas de endividamento, embora não inviabilizados.
Entre as alternativas que o governo está oferecendo aos ruralistas, estão a ampliação do prazo de pagamento, redução de juros e um alívio nos compromissos que vencem a partir de outubro. Numa safra de baixa renda, provocada pela queda de preço das principais commodities no mercado internacional, é uma forma de facilitar o pagamento de compromissos este ano, afirmou.
Caminhonaço Os ruralistas não estão dispostos a um
acordo, até porque na semana que vem chegará a Brasília um caminhonaço de agricultores de todo o País na Mobilização Acordo Rural, para pedir soluções para o endividamento. Será o segundo caminhonaço de agricultores no governo Fernando Henrique e a intenção dos deputados é votar o projeto no plenário da Câmara durante a manifestação para atender os anseios das bases.





