Perda na soja já é de 1 milhão de toneladas
PUBLICAÇÃO
sábado, 07 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Maracaju (MS) - Passados cinco dias do início do Rally da Safra, a expedição já constata uma quebra de pelo menos 1 milhão de toneladas na safra de soja deste ano. ''Não vamos mais chegar a 60 milhões de toneladas'', diz André Pessoa, sócio-diretor da Agroconsult. As fazendas visitadas pelas equipes Leste e Oeste do Rally registram perdas de produtividade por causa da falta de chuvas nas últimas semanas. As regiões afetadas são Oeste de Santa Catarina, Norte e Oeste do Paraná, Sul do Mato Grosso do Sul e Sul de São Paulo. A área mais afetada, segundo Pessoa, é o Sul do Mato Grosso do Sul.
Pessoa avalia que as perdas devem ser de cerca de 500 mil toneladas no Paraná e outras 500 mil toneladas somente no sul do MS. À medida que as equipes rumam mais para o Norte do País, a expedição vai poder avaliar como o clima está se refletindo na produção de outras regiões. A equipe Leste vai visitar além de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e sudeste do Mato Grosso. A equipe Oeste vai em direção ao Norte do País para o norte do Mato Grosso e Rondônia. Até o momento, outro grande temor dos agricultores brasileiros, a ferrugem da soja, não tem se mostrado um problema tão sério. O tempo seco tem impedido um maior desenvolvimento da doença fúngica na regiões visitadas.
O impacto da estiagem é praticamente inexistente para as variedades de soja precoce, que estão sendo colhidas neste momento. Mas para as de variedade de ciclo médio e longo a falta de chuvas está sendo bastante prejudicial. Nas áreas mais castigadas pela estiagem, elas deixaram de receber umidade durante o crítico período de enchimento de grão. Por isso, a perda geral da produtividade da soja para a região deve girar em torno de 8%, na avaliação do consultor Modesto Daga, da Dagaplan.
Na madrugada de quinta-feira, finalmente choveu no Oeste e no Norte do Paraná. Na região de Maringá, choveu forte após 20 dias de estiagem, justamente quando a equipe leste do Rally da Safra deixou a cidade, rumo a São Paulo. A chuva deve aliviar um pouco a situação de escassez das lavouras, que em alguns casos já apresentavam quebra de 15% na produtividade. Mas não deve ser suficiente para recuperar todas as perdas registradas até agora.
No Sul do Mato Grosso do Sul, a situação é mais crítica. O produtor Avelino Ruaro, com uma área total plantada com soja de 2.500, teme ter de vender uma fazenda para cumprir os compromissos. Ele fez uma aposta de risco, plantando toda a sua área com soja precoce. Seu objetivo era conseguir colher a soja e em seguida plantar milho safrinha (de inverno). Mas a lavoura foi fortemente prejudicada pela falta de chuvas e pode colher menos de 30% do previsto. A produtividade média alcançada por Avelino Ruaro é de 60 sacas por hectare, mas este ano deve ficar entre 15 e 20 sacas por hectare. O pior é que o produtor já havia vendido antecipado 20% da sua produção a preços entre US$ 9 e US$ 10 e R$ 40 por saca. Dependendo da produtividade final, talvez Ruaro tenha de comprar soja para cumprir esse compromisso.
O Rally da Safra é a maior expedição privada para avaliação de safra já realizada no País. O projeto é uma iniciativa da empresa de consultoria Agroconsult, com patrocínio da Bunge Fertilizantes, Banco do Brasil, Kepler Weber e John Deere, além dos apoios da Agência Estado, Ford e Fundação Agrisus.


