Perda na agricultura chega a R$ 7,2 bi no Paraná
PUBLICAÇÃO
sábado, 01 de abril de 2006
Andréa Bertoldi<br>Equipe da Folha 
Curitiba - A estiagem, a queda do dólar, a gripe do frango e a febre aftosa já trouxeram perdas que atingem a cifra de R$ 7,2 bilhões entre os agricultores, pecuaristas e produtores avícolas do Paraná. A estimativa foi realizada pela Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). A economista da entidade, Gilda Bozza, explica que, com a estiagem que atingiu as culturas de soja, milho (normal e safrinha), feijão das águas, algodão, arroz, cana-de-açúcar, mandioca e batata, o prejuízo com a produção da safra 2005-2006 chega a R$ 1,5 bilhão. Segundo ela, este prejuízo pode aumentar ainda mais quando estes produtos forem comercializados já que os preços oferecidos ao produtor estão abaixo do valor mínimo de comercialização.
Ao valor de R$ 1,5 bilhão foi somada a perda de R$ 700 milhões com a redução das exportações de frango devido a gripe aviária e os focos de aftosa que atingiram o Paraná e trazem dor de cabeça aos produtores desde o dia 21 de outubro de 2005. De acordo com o assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, este valor é refente a diferença do preço do suíno que caiu, a diferença do preço do boi que teve redução e a diminuição da produção de bovinos.
Para chegar aos R$ 7,2 bilhões, Gilda somou ainda a perda de R$ 5 bilhões que os agricultores, pecuaristas, suinocultores e avicultores tiveram com a estiagem entre os anos de 2004 e 2005. Em 2004, o Valor Bruto da Produção (VBP) no Paraná foi de R$ 29 bilhões. No ano passado, caiu para R$ 24 bilhões. A diferença entre os dois anos chega a R$ 5 bilhões e representa as perdas do período. O Valor Bruto da Produção é calculado multiplicando o que foi produzido pelo preço médio pago aos produtores.
O assessor econômico da Faep, Carlos Augusto Albuquerque, lembra que a crise no campo começou há dois anos, quando o dólar estava no patamar de R$ 3,10 no primeiro semestre de 2004 e depois começou a cair no segundo semestre do mesmo ano. Ele destaca que os produtores plantaram a safra de verão, naquela época, com o dólar a R$ 3,20 mas, na comercialização da safra de inverno em 2004, a moeda norte-americana começou a cair.
''Muitos produtores venderam a saca de trigo a R$ 20 enquanto o preço mínimo era de R$ 24 no segundo semestre de 2004'', destacou. Ele ressaltou ainda que, quando iniciou a venda da safra de verão 2004-2005, no primeiro trimestre do ano passado, o dólar já estava cotado a R$ 2,50. Para ajudar ainda mais, o Estado foi atingido por uma estiagem na safra 2004-2005.
Este ano, o cenário se repetiu. Os agricultores plantaram com a cotação do dólar a R$ 2,30 e agora a moeda caiu para R$ 2,15. ''Na verdade, os prejuízos são de quatro safras no período de dois anos'', disse. E não há perspectivas de vender com preços bons a safra para a maior parte das culturas. Hoje, há produtores vendendo o milho por R$ 9 a saca, quando o preço mínimo deveria ser de R$ 18.
''Se o governo federal arrumasse o câmbio, 80% do problema no campo estaria resolvido'', defendeu Albuquerque. O problema da estiagem, segundo ele, poderia ser solucionado com o alongamento das dívidas dos produtores. ''O maior problema é de renda. O produtor não tem preço para colocar o produto no mercado devido ao câmbio'', disse. Ele lembra que os agricultores do Estado estão com endividamento de quatro safras no prazo de dois anos.
Além de todos estes problemas, no Paraná, 42 mil agricultores podem perder as terras, tratores e colheitadeiras dados como garantia para o pagamento de dívidas, como a Folha já tinha divulgado com exclusividade na edição da última sexta-feira. Vários produtores do Estado fizeram empréstimos e não conseguiram pagar. Por este motivo foram executados pelo Banco do Brasil.


