Desde o início de novembro, a perda de reservas internacionais foi interrompida. Existe um fluxo de saída de moeda estrangeira, mas ele corresponde basicamente a amortizações de dívida e, portanto, um fluxo previsível na contabilidade do Banco Central, informa Maria do Socorro Carvalho, chefe do Departamento de Operações Internacionais do Banco Central (Depin). ‘‘O comportamento do balanço cambial autoriza afirmar que a tendência de queda das reservas internacionais foi revertida’’, afirmou Maria do Socorro, sem demonstrar preocupação particular com o fato dos títulos de empresas e bancos brasileiros, que estão vencendo no mercado externo, não estarem sendo renovados.
Com os pés no chão, a chefe do Depin reconhece que a retomada das emissões não deverá ocorrer tão cedo. E não por prevenção dos investidores com relação ao Brasil, mas, sobretudo, pelas perdas que os investidores estrangeiros sofreram nos últimos meses com os mercados emergentes em geral e pelo efeito calendário. O final do ano é, tradicionalmente, um período de baixa para lançamentos de papéis, uma vez que as instituições começam a concentrar sua atenção aos procedimentos que implicam em fechamentos de balanço.
O Brasil saiu do ‘‘olho do furacão’’, avalia a chefe do Depin, Maria do Socorro Carvalho. ‘‘Voltamos a conviver com fluxos cambiais positivos ou ligeiramente negativos, o que é muito bom, considerando que a crise financeira internacional se consubstanciou no Brasil exatamente pela perda de reservas. Em setembro e outubro, assistimos à saída de capital volátil e através da CC-5. O movimento configurou uma fuga de capitais. Mas, marcadamente, desde o início de novembro o cenário mudou e é possível identificar com clareza que recursos saem do País para honrar amortizações lá fora’’.
Maria do Socorro revela que o estoque de capital aplicado no Brasil através do Anexo IV - porta de entrada de aplicações destinadas a fundos de investimento capital estrangeiro que serão lastreados em renda fixa - permanece em US$ 2 bilhões.
As aplicações dedicadas às bolsas de valores, através do Anexo IV, estão apresentando saldos positivos, liderando as diversas modalidades de ingresso de moeda estrangeira no Brasil. A entrada de dólar via CC-5 está apresentando desempenho melhor que a média histórica, que é a de saída diária entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões. O comportamento da CC-5 é considerado importante referência de reequilíbrio do fluxo de capital externo, dado papel que teve nos momentos mais agudos da crise desencadeada pela moratória russa anunciada em meados de agosto.
A perspectiva de queda do cupom cambial - potencial remuneração do capital estrangeiro aplicado no Brasil - não deve preocupar o mercado, afirma Maria do Socorro Carvalho. Ela alerta que o cupom ou referência de juro em dólar é importante, mas não para toda e qualquer modalidade de aplicação de estrangeiros. ‘‘O cupom cambial é importante, por exemplo, para os investidores que chegam ao País via Anexo VI, porque seus recursos serão destinados aos fundos lastreados em títulos de renda fixa. Isso também vale para a CC-5, que acolhe capital de não-residentes.
Para o capital estrangeiro captado com objetivo de repasse através da ‘‘63 Caipira’’, o cupom cambial também interessa. Mas, essa importância do cupom é menor, quando consideramos que o estoque do Anexo VI permanece estável e o estoque de ‘‘63 Caipira’’ foi reduzido a praticamente nada.

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