Perda de reservas é interrompida
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quarta-feira, 18 de novembro de 1998
Agência Estado 
Desde o início de novembro, a perda de reservas internacionais foi interrompida. Existe um fluxo de saída de moeda estrangeira, mas ele corresponde basicamente a amortizações de dívida e, portanto, um fluxo previsível na contabilidade do Banco Central, informa Maria do Socorro Carvalho, chefe do Departamento de Operações Internacionais do Banco Central (Depin). O comportamento do balanço cambial autoriza afirmar que a tendência de queda das reservas internacionais foi revertida, afirmou Maria do Socorro, sem demonstrar preocupação particular com o fato dos títulos de empresas e bancos brasileiros, que estão vencendo no mercado externo, não estarem sendo renovados.
Com os pés no chão, a chefe do Depin reconhece que a retomada das emissões não deverá ocorrer tão cedo. E não por prevenção dos investidores com relação ao Brasil, mas, sobretudo, pelas perdas que os investidores estrangeiros sofreram nos últimos meses com os mercados emergentes em geral e pelo efeito calendário. O final do ano é, tradicionalmente, um período de baixa para lançamentos de papéis, uma vez que as instituições começam a concentrar sua atenção aos procedimentos que implicam em fechamentos de balanço.
O Brasil saiu do olho do furacão, avalia a chefe do Depin, Maria do Socorro Carvalho. Voltamos a conviver com fluxos cambiais positivos ou ligeiramente negativos, o que é muito bom, considerando que a crise financeira internacional se consubstanciou no Brasil exatamente pela perda de reservas. Em setembro e outubro, assistimos à saída de capital volátil e através da CC-5. O movimento configurou uma fuga de capitais. Mas, marcadamente, desde o início de novembro o cenário mudou e é possível identificar com clareza que recursos saem do País para honrar amortizações lá fora.
Maria do Socorro revela que o estoque de capital aplicado no Brasil através do Anexo IV - porta de entrada de aplicações destinadas a fundos de investimento capital estrangeiro que serão lastreados em renda fixa - permanece em US$ 2 bilhões.
As aplicações dedicadas às bolsas de valores, através do Anexo IV, estão apresentando saldos positivos, liderando as diversas modalidades de ingresso de moeda estrangeira no Brasil. A entrada de dólar via CC-5 está apresentando desempenho melhor que a média histórica, que é a de saída diária entre US$ 50 milhões e US$ 60 milhões. O comportamento da CC-5 é considerado importante referência de reequilíbrio do fluxo de capital externo, dado papel que teve nos momentos mais agudos da crise desencadeada pela moratória russa anunciada em meados de agosto.
A perspectiva de queda do cupom cambial - potencial remuneração do capital estrangeiro aplicado no Brasil - não deve preocupar o mercado, afirma Maria do Socorro Carvalho. Ela alerta que o cupom ou referência de juro em dólar é importante, mas não para toda e qualquer modalidade de aplicação de estrangeiros. O cupom cambial é importante, por exemplo, para os investidores que chegam ao País via Anexo VI, porque seus recursos serão destinados aos fundos lastreados em títulos de renda fixa. Isso também vale para a CC-5, que acolhe capital de não-residentes.
Para o capital estrangeiro captado com objetivo de repasse através da 63 Caipira, o cupom cambial também interessa. Mas, essa importância do cupom é menor, quando consideramos que o estoque do Anexo VI permanece estável e o estoque de 63 Caipira foi reduzido a praticamente nada.


