Curitiba - A perda de grandes clientes, registrada no período de janeiro a setembro deste ano, pode afetar o desempenho e a competitividade da Companhia Paranaense de Energia (Copel). No período janeiro a setembro, a Copel perdeu 8,4% dos consumidores livres fora de sua área de concessão. Para o ex-presidente da empresa e consultor na área de energia João Carlos Cascaes, a empresa está engessada por causa do novo modelo elétrico criado pelo governo federal.
Para Cascaes essa situação é ruim para a Copel que perde bons clientes que pagam em dia e restringe o forneciento de energia para consumidores mais frágeis. Ele sugeriu que a Copel volte a criar uma comercializadora de energia como tinha antes, representada pela Tradener, para ter mais agilidade na negociação com as grandes empresas.
De acordo com o consultor, as Centrais Elétricas de Minas Gerais (Cemig) criou sua comercializadora para driblar o engessamento do sistema elétrico e está conseguindo aumentar a geração de energia para grandes clientes.
O consultor reconheceu que o contrato anterior, com a Tradener, tinha vícios e provocou prejuízos à estatal. Mas lembrou que o governo do Estado deveria abrir uma licitação e criar sua comercializadora para flexibilizar a relação com os grandes consumidores. ''Se nada for feito, cada vez mais a Copel vai perder grandes clientes para suas concorrentes'', avisou. Segundo Cascaes, a Tractebel, uma grande concorrente da Copel está agindo de forma agressiva no Paraná na conquista dos clientes da estatal paranaense.
Por outro lado, a empresa informou, através de um comunicado ao mercado, que o consumo geral de energia dentro do Estado cresceu 1,8% no período de janeiro a setembro em comparação com o mesmo período do ano passado.
Segundo a Copel, o comércio registrou crescimento de 3,6% no consumo de energia graças à modernização do setor e instalação de novos empreendimentos. Já o aumento do consumo na área rural foi atribuido ao aumento das exportações de produtos agropecuários e agroindustriais. O consumo da classe industrial sofreu retração de 1,0% devido à saída de grandes consumidores do mercado cativo da empresa. Não fosse a perda dos grandes clientes da classe industrial, o crescimento no consumo de energia seria de 5,7% maior, reconheceu a empresa.

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