Perda de eventos é o maior problema
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quarta-feira, 04 de julho de 2007
Erika Zanon<br> Reportagem Local 
O gerente do Hotel Cristal e representante dos hotéis Ideal e do Lago, Maurici Dantas de Menezes, entende que há um contexto econômico generalizado que atingiu o setor, mas alguns detalhes pontuais prejudicaram ainda mais o segmento em Londrina. ''Antes tínhamos dois vestibulares (da UEL) por ano na cidade, que duravam quatro dias, e agora só temos um, em apenas dois dias. Além disso, perdemos a realização de uma etapa da Fórmula Truck que movimentava toda a cidade'', citou Menezes.
Ele frisou ainda que Londrina é pólo científico e tecnológico e poderia realizar muitos mais eventos médicos, por exemplo, mas isso não acontece. ''O aeroporto é um dos problemas, quem organiza um evento nunca tem certeza que convidados e participantes conseguirão chegar'', reclamou Menezes. Ele sugere que o poder público crie um secretaria para o setor - que ''melhoraria os instrumentos de trabalho - e melhorando a segurança da cidade, nas ruas, praças, bairros deixaria o ambiente mais atraente para a captação de eventos.'' ''Se o cenário não mudar o resultado será o prejuízo para a sociedade por causa do desemprego''.
Para o gerente geral do Hotel Comfort Suites, Marcelo Duarte de Oliveira Alves, a cidade precisa enfocar sua vocação que é a realização de eventos. Para isso, de acordo com ele, é necessário construir um Centro de Convenções, com infra-estrutura adequada de audiovisual, sistema de refrigeração, para conseguir receber eventos de porte. ''O Centro de Eventos que temos em Londrina não conta com estrutura interna tão adequada para alguns eventos'', disse Alves.
Segundo ele, entre os hotéis da rede, o Comfort Suites em Londrina tem uma ocupação de média para baixa e vem decrescendo ano a ano. Em 2003, ano em que se instalou na cidade, a média de ocupação foi de 35% ao mês. No ano seguinte a taxa chegou a 58,9%, em 2005 a 65,4%, em 2006 começou a cair e ficou em 51,4% e em 2007, até agora, a média mensal tem sido de 50,7%. ''Londrina ainda atrai muitos eventos, mas eventos com qualidade e que realmente tragam hospedagem são poucos. Então, toda a ajuda é bem-vinda e se vier dos órgãos municipais, melhor ainda'', destacou.
Além dos incentivos básicos por parte do poder público, o gerente de operações do Hotel Bourbon, Leandro Mosca, também sugere o apoio dos órgãos para a implantação de um parque temático na cidade. ''Londrina não tem vocação turística, mas temos um clima bom, ameno. Um parque poderia movimentar o setor hoteleiro nos períodos de mais baixa'', salientou.
Mosca frisou que o que ajuda o hotel a se manter na cidade é o fato do empreendimento fazer parte de uma rede. Em Londrina, em períodos de entressafra, a taxa de ocupação do Bourbon chega a ficar entre 36% e 40%, segundo o gerente. Ele destacou que a situação na cidade está tão difícil que, às vezes, o volume de ocupação local perde para o de cidades como Cascavel. Em relação a Joinville, Londrina perde longe, destacou. ''O que estamos vivendo não chega a ser uma crise, mas o panorama não é positivo'', afirmou.
Para a gerente do Aeropark Hotel, Sandra Cristina Amaral, é difícil entender a crise. ''Em anos anteriores, nos meses de abril, a taxa de ocupação ficava superior a 60%. Neste ano, o volume ficou em 49%, nem a Exposição conseguiu movimentar o setor'', lametou Sandra. Ela comentou que para mudar o cenário será necessário investimentos em infra-estrutura. ''Não adianta o Convention (LC&VB) captar eventos e a cidade não oferecer estrutura, não ter suporte. Falta a manutenção da cidade'', frisou.
A gerente do Hotel Blue Tree, Mariana Morato, também concorda que seria interessante para movimentar o segmento na cidade, a instalação de um Centro de Convenções. ''Isso ajudaria a captar mais eventos'', frisou. Segundo Mariana, o hotel - que completou um ano em abril - tem trabalhado com volumes de ocupação em torno de 53%, este ano. Porém a taxa ideal seria de pelo menos 60%.


