Perda da safra chega a 6 milhões/toneladas
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segunda-feira, 30 de maio de 2005
Rodrigo Sais<br>Equipe da Folha 
Curitiba A Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab) apresentou ontem um levantamento sobre as perdas acumuladas da safra agrícola do Paraná decorrentes da seca deste ano. O balanço confirma o que os produtores já vinham sentindo na prática: 2005 está sendo um ano negro para a agricultura paranaense. Segundo os dados do Departamento de Economia Rural (Deral), a colheita de grãos da safra 2004/2005 deve chegar no máximo a 22 milhões de toneladas seis milhões a menos do que a previsão para o ano.
De acordo com o secretário de Agricultura, Orlando Pessuti, o prejuízo estimado apenas com a queda da produção de grãos é de R$ 2,3 bilhões. ''Se ampliarmos o quadro e analisarmos a queda na produção dos outros setores agropecuários, e somarmos isso ao impacto que a queda nas receitas tem nos outros setores produtivos, o prejuízo total para o Estado bate na casa dos R$ 10 bilhões'', lamentou Pessuti.
Em tonelagem absoluta, a principal queda na produção aconteceu com a soja, carro-chefe do setor agrícola do Paraná. O levantamento da secretaria aponta que 3,2 milhões de toneladas de soja já se perderam, o equivalente a 54% das perdas com grãos estimadas pelo Deral. Os maiores prejuízos aconteceram na região sudoeste do Estado, a mais atingida pela seca, onde os produtores perderam quase metade da produção de soja normal. Na região Norte, o prejuízo foi grande na safrinha da soja 76,68% da produção.
A situação dos mercados também foi desfavorável aos produtores nos últimos meses. ''Além da seca, o custo dos insumos agrícolas aumentou cerca de 25%. Para piorar, o preço dos produtos no mercado interno está muito baixo, e para exportação também as condições são desfavoráveis'', ressaltou Pessuti.
O panorama é ainda mais desanimador para os produtores de trigo do Estado. Na próxima quarta-feira entra em vigor um decreto do governo de São Paulo que concede um diferimento no ICMS do trigo para as empresas que adotam o sistema Simples em São Paulo. O decreto fará com que o trigo produzido no Paraná perca competitividade com o produzido em São Paulo. ''Os produtores do setor estão reivindicando que o Paraná adote o mesmo diferimento. O problema é que o Estado produz cerca de 60% do trigo do Brasil, e isso significaria uma grande queda na arrecadação do ICMS. Amanhã (hoje) vamos nos reunir com a secretaria da Fazenda e a Procuradoria-Geral do Estado para tentarmos encontrar uma solução para o problema'', declarou Pessuti.


