A produção agrícola brasileira tem aumentado em volume mas a renda média do setor caiu quase pela metade em menos de 10 anos. Na comparação média entre os anos 80 e 90, a renda da soja caiu 30%; o trigo, 75%; o feijão, 38%; o café, 33%; o arroz em casca, 50%, e a do milho, 28%. Embora a queda da renda venha ocorrendo desde o início dos anos 90, foi durante o Plano Real que aconteceram perdas mais acentuada em quase todos os produtos de origem vegetal.
Estes e outros dados - inclusive sociais - foram apresentados ontem, em Londrina, pelo pesquisador Mauro Eduardo Del Grossi, do Iapar, durante sua palestra sobre a ‘‘Expansão Recente das Ocupações Rurais Não Agrícolas’’ (ORNAs), em evento técnico que reúne pesquisadores da Fao/RLC, Onu/Cepal, Unicamp, Universidade Federal do Rio de Janeiro e órgãos do governo do Paraná.
As Ocupações Rurais Não Agrícolas resultam, quase sempre, da insuficiência de renda da atividade primária que leva as famílias a se tornarem pluriativas, dedicando-se a outras atividades na própria zona rural ou na cidade.
Em 1988, a renda média da família brasileira – rural e urbana – era de R$ 957,00. No mesmo ano, a renda média da família rural, considerando todos os extratos, era de R$ 420,71, menos da metade. Outra comparação: as famílias, mesmo sendo proprietárias, que vivem exclusivamente da terra, ganham (R$ 306,50/mês) menos do que as famílias pluiriativas que, morando na zona rural - mesmo não sendo proprietárias -, recebem em média R$ 368,47.
A renda agrícola no Brasil é muito baixa; é por esta razão que as pessoas estão procurando a pluriatividade, ou seja estão buscando outras fontes de renda e outras ocupações não agrícolas, para estancar o empobrecimento, segundo mostram os dados apresentados pelo pesquisador Mauro Del Grossi.
‘‘A salvação da lavoura são outras ativividades que não a lavoura’’, afirma o pesquisador para uma platéia que se surpreende com os números e com a evolução do que os técnicos também chamam de ‘‘novo rural’’. Os participantes estão preocupados com as consequências dessas mudanças. ‘‘O pior é que isto ocorre à revelia de políticas agrícolas’’, afirma Mauro Del Grossi.
Outro estudo, de autoria de Antônio Carlos Laurenti, do Iapar, mostra o avanço do processo de terceirização na agricultura. Se o processo de terceirização - e de ampliação das ocupações rurais não agrícolas - for mantido, em 2010 o número de pessoas, na zona rural, que executa outras atividades (as famílias pluriativas) será igual ao número depessoas envolvidas exclusivamente na atividade agrícola.
Laurenti expõe - para discussão e conclusões do grupo -, todas as nuances do processo. A terceirização ocorre na pequena, média ou grande propriedade; na implantação de técnicas de conservação de solos, no plantio e na colheita.
Hoje os participantes do eventos vão conhecer experiência de famílias multiativas no Bairro Três Bocas, na Warta e no Patrimônio Espírito Santo. Amanhã falarão técnicos da Fao, da Onu, da Unicamp e da UFFRJ.

mockup