Curitiba O índice do roubo de cargas no Paraná vem crescendo cerca de 5% a 6% ao ano. Só no ano passado, foram regristrados 184 casos de roubos de cargas, que somam perdas de R$ 17,7 milhões. No Brasil, no ano passado, foram roubadas cargas no valor de R$ 575 milhões.
Por enquanto, a participação do Paraná neste valor é da ordem de 5%. Antes que esses números cresçam, as empresas de transporte de cargas e autoridades policiais discutiram, ontem, a implantação de mecanismos integrados de segurança e de informações entre as polícias federal, estadual e especializada de roubo de cargas.
De acordo com Rui Cichella, presidente do Sindicato das Empresas Transportadoras de Cargas do Estado do Paraná (Setcepar), o setor teme que este tipo de crime, muito presente no Rio de Janeiro e São Paulo, se estenda para o Paraná. O maior temor, segundo Cichella, é que o Paraná se transforme em rota de passagem para levar caminhões roubados ao Paraguai e de tráfego de caminhões com mercadorias roubadas em São Paulo para serem desovadas na região do Mercosul.
Esse tipo de ação criminosa ameaça a sobrevivência das transportadoras. Além do risco, as empresas têm dificuldades de segurar as cargas, disse Cichella. Atualmente, nem 50% das cargas são seguradas por causa da resistência das companhias seguradoras. Entre as dificuldades para reduzir o índice do roubos está a brandura na legislação e na punição, disse o coronel Paulo Roberto de Souza, assessor de segurança do Sindicato das Empresas de Transporte de Carga de São Paulo e Região. Segundo ele, este roubo é considerado pela polícia como ''crime branco'' e atualmente, até pelo clamor popular, as autoridades de todos os Estados estão mais voltadas para combater os ''crimes de sangue''.
De acordo com Souza, além da falta de estrutura policial para combater esse tipo de crime, existe carência de informações, de estatísticas e de coordenação de uma ação policial. ''Não há policiamento investigativo para esse tipo de especialização e nem prevenção nas estradas.'' Souza criticou também a falta de penas mais duras para o crime de receptação das cargas roubadas.
Atualmente, para o crime de receptação para cargas roubadas é imputada uma pena de no máximo oito anos de prisão. Com as reduções de pena, ela pode ser cumprida em apenas três a quatro meses.

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