Perda com crediário sobe a 10,82%
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quarta-feira, 23 de dezembro de 1998
Agência Folha 
O índice de perdas do comércio e de instituições financeiras nas operações de crédito direto ao consumidor (CDC) voltou a subir em novembro. Alcançou 10,82%, contra 10,31% no mês anterior. A constatação é de pesquisa da Servloj, empresa que presta serviços na área de CDC a várias cadeias de lojas. O índice de 10,82% refere-se a atrasos acima de 180 dias, prazo em que o crédito pode ser considerado perdido.
No método da Servloj, o índice de 10,82% representa quanto das prestações que deveriam ter sido quitadas seis meses antes não havia sido pago até novembro. O pico na inadimplência acima de 180 dias foi alcançado em novembro de 95, com 11,44%, um reflexo da primeira crise de inadimplência no Plano Real. Em março daquele ano houve o primeiro choque de juros, devido à crise mexicana.
Além disso, segundo análises da Servloj, o início do Real foi marcado pela inexperiência tanto de consumidores quanto do comércio com a estabilidade. O índice voltou a cair em 1996, para patamares de 5%, mas voltou a crescer com a ampliação dos prazos do crediário e o juro alto.
Quanto maior o número de prestações, maior o risco de calote. Essa é uma das razões que levam à conclusão de que, mesmo baixando no futuro, a inadimplência não voltará mais aos patamares anteriores ao Real, quando os prazos do crediário eram mais curtos.
As empresas que lidam com CDC aperfeiçoaram suas políticas de concessão de crédito de um ano e meio para cá, mas o desemprego pressionou o índice para cima.


