Perda cambial pode ser repassada
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terça-feira, 29 de agosto de 2000
Agência Estado De Brasília 
O ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho, disse ontem que o governo deve autorizar o repasse da desvalorização cambial para as tarifas de energia elétrica produzida pelas usinas termelétricas. Segundo Tourinho, a medida que encontra-se em estudo asseguraria os investimentos privados nas usinas a gás natural.
O ministro acredita que este impacto deve ser maior apenas em 2002 já que, no próximo ano, a oferta de energia ao mercado nacional será bem menor. Uma das formas seria o hedge (seguro cambial), disse Tourinho ao afirmar que a medida encontra-se em estudo. Para o ministro, o governo não está criando nada de novo já que a energia produzida por Itaipu é indexada ao dólar.
O ministro fez, ontem à tarde, palestra para empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para Tourinho, o Programa Prioritário de Termeletricidade (PPE) prevê um acréscimo de 11 mil Megawatts (MW) de energia até 2004. Como estas usinas vão produzir energia usando o gás natural, que tem sua cotação em dólar, uma eventual alta da moeda americana poderia ter impacto direto no caixa destas termelétricas.
Os empresários interessados nestes projetos reivindicaram do governo, há meses, a adoção de mecanismo que permita recuperar estas perdas. Tourinho explicou durante entrevista que está em estudo a revisão das tarifas caso o preço do gás natural aumente em função da desvalorização do câmbio. A medida irá afetar diretamente o bolso do consumidor já que, na cadeia do reajuste, o governo irá autorizar o repasse para os usuários.
De acordo com os cálculos de Tourinho, esta energia térmica representaria, dentro de quatro anos, apenas 20% da capacidade instalada. Ou seja, um eventual reajuste seria proporcional à parcela comprada pela distribuidora. Se uma concessionária adquire 90% de eletricidade das usinas hidrelétricas e os 10% vêm de termelétricas, o porcentual de aumento concedido levará em conta a parte térmica. O investidor terá o risco de montar o negócio e caberá a ele ser eficiente, disse Tourinho.


