São Paulo- Os pequenos supermercados ganharam, em 2003, mais uma vez, participação no setor, em detrimento das médias e grandes empresas. As lojas de até quatro caixas foram as únicas que conseguiram vender mais em relação a 2002. O aumento foi de 6%, elevando a participação no mercado total de 36,7% para 38,3%.
Essas lojas também se destacaram em 2002, com crescimento até maior: na comparação com 2001, seu faturamento subiu 11,7%. O pequeno varejo alimentar é responsável pela maior parcela da distribuição de produtos de consumo no Brasil. Já os minimercados e as lojas médias e grandes têm fatias quase equivalentes, entre 11% e 16%.
Em 2003, a participação dos supermercados de cinco a nove caixas ficou praticamente estável, enquanto as lojas médias caíram de 16,3% para 15,9% e as grandes, de 17,6% para 16,2%.
De acordo com uma pesquisa realizada pela AC Nielsen, pelo segundo ano consecutivo os hipermercados perderam vendas. O faturamento caiu 7,1% - depois de ter recuado 2,6% em 2002. ''Os pequenos supermercados continuarão dando melhores resultados'', afirmou o diretor-geral da ACNielsen CBPA, Arthur Bernardo Neto, que divulgou ontem os resultados do levantamento, feito em seis regiões metropolitanas.
Preferência - As justificativas dos consumidores para explicar a preferência pelos pequenos estabelecimentos foram, em primeiro lugar, a proximidade, mencionada por 74% dos entrevistados, e depois o preço, citado por 65%. Apareceram como causa também as ofertas e promoções, o atendimento e a melhor qualidade dos produtos.
A competitividade dos pequenos supermercados com relação ao preço está relacionada a vários fatores. A maior presença de marcas alternativas, sobretudo em lojas de periferia, o menor custo da estrutura e a informalidade são os principais. Em média, a diferença de preço na comparação com os mercados maiores gira em torno de 5% a 10%.
Embora as grandes empresas continuem ainda inaugurando hipermercados, essas lojas têm hoje uma área cerca de 40% menor em relação às que eram abertas há 10 anos. Além disso, as principais companhias brasileiras já investem em dois tamanhos de lojas. Até o Carrefour, que trouxe os hipermercados para o Brasil e se transformou na segunda maior empresa do setor ancorado neste formato, já está investindo nos supermercados. A companhia tem planos mais amplos este ano para sua bandeira Champion, cuja penetração no País ainda é tímida.
Bernardo avalia que os pequenos supermercados continuarão registrando melhor desempenho em razão da busca cada vez maior do conceito de conveniência e da tendência de manutenção das restrições de renda, que colocam a questão preço como prioritária. Não é só no Brasil que os hipermercados estão xeque. Nos países desenvolvidos, os projetos também estão sendo revistos.

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