Pequenos querem mostrar
que são bons pagadores
Vânia Casado
Sucursal de Curitiba
Os pequenos produtores do Paraná querem se beneficiar da ampliação do Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) que na safra 97/98 deverá ter R$ 1,5 bilhão para financiar 50 mil contratos. Para isso querem mostrar ao governo federal que são bons pagadores e prometem que a inadimplência do setor será mínima, próxima de zero, nos 20 mil contratos feitos, via Pronaf, na safra passada.
Para usufruir dessa linha de crédito, a Fetaep está orientando os pequenos produtores que já venderam a produção, a antecipar o pagamento do custeio financiado pelo Pronaf, cuja cédula começa a vencer em julho. Enquanto o dinheiro fica parado no banco, com pouco rendimento, o agricultor ganha muito mais se antecipar a quitação da cédula, explicou Sergio Gutierrez, coordenador técnico-econômico da Fetaep. Ele aponta a redução dos juros e a garantia do pagamento do preço mínimo, no caso para o milho, como vantagens que reduz a valor da dívida, acertada em equivalência-produto.
Segundo Gutierrez, os juros do Pronaf são de 9% ao ano. Mas se a quitação for antecipada, o banco vai calcular o juro proporcional ao tempo efetivo do empréstimo e o valor da dívida será menor, explicou. Ele salienta que a antecipação deverá ser feita apenas se o preço do milho no mercado continuar abaixo do preço mínimo.
Denúncias Se as perspectivas com os financiamentos de custeio do Pronaf são as melhores possíveis, o mesmo não se pode dizer do Pronaf investimentos, declarou Gutierrez. Ele acusou o Banco do Brasil e o Banestado de impor restrições no atendimento. No caso do Banestado, existe uma falta de sintonia entre as agências no Interior, a regional e a direção do banco, denunciou. Gutierrez afirma que os gerentes continuam priorizando os clientes tradicionais, em detrimento dos produtores que reivindicam o financiamento do Pronaf Investimentos.
Gutierrez citou como prova de restrição, a posição do gerente da agência do município de Turvo. Segundo ele, ficou acertado com a direção do banco que poderia ser financiada a aquisição de gado sem registro, desde que tivesse aptidão leiteira. Mas a orientação da regional de Ponta Grossa insiste que sejam financiadas somente as aquisições de animais registrados.
Já o Banco do Brasil, a Fetaep acusa de morosidade na liberação dos projetos. O problema é que o Pronaf colocou R$ 350 milh$oes à disposição dos pequenos produtores na região Sul para ser aplicado até junho e até agora não foi aplicado sequer R$ 50 milhões, e esse dinheiro terá que ser devolvido ao BNDES por falta de tomadores, o que é ridículo, lamentou Gutierrez.
O Banestado se defende das acusações da Fetaep, afirmando que o maior problema verificado na liberação do financiamento é a falta de comprovação de propriedade dos interessados. Segundo Mario Dionízio, da diretoria de Crédito Rural do banco, a Fetaep quer que sejam financiados investimentos para sem-terra e para posseiros que não têm como comprovar a propriedade da terra, o que inviabiliza a concessão de crédito.

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