Pequenos produtores investem no cultivo do coco
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segunda-feira, 28 de junho de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Em meio a pastagens e lavouras de grãos, produtores das regiões Norte e Noroeste do Paraná investem no plantio do coco como alternativa para diversificação da propriedade. No ano passado, a produção do Estado cresceu 400% com relação a 2002. Foram colhidas 827,2 mil unidades, ante as 164,6 mil frutas obtidas no ano anterior.
O Valor Bruto da Produção (VBP) aumentou de R$ 120,6 mil para R$ 446,7 mil, segundo a administradora de empresas Gilka Andretta, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (Seab). ''O valor é baixo diante do VBP total do Estado, mas percebemos que a a atividade dá lucros ao produtor. É também uma possibilidade de gerar renda em áreas pequenas'', disse, acrescentando que grande parte da produção se concentra no Noroeste do Paraná. O coco paranaense, de acordo com a técnica, é comercializado no próprio Estado.
Renato Cardoso Machado, chefe regional da Seab em Maringá, informou que o coco é adequado ao clima quente das regiões localizadas acima do trópico de capricórnio. A variedade mais adaptada é o coco anão, cuja árvore é menor que os coqueiros gigantes comuns no Nordeste do País.
''A atividade é viável desde que o produtor invista nos tratos culturais necessários. Além disso, é preciso implantar um sistema de irrigação. O coqueiro adulto consome mais água que um boi'', exemplificou. Ele informou que cada hectare comporta 206 árvores. Cada uma delas tem potencial para produzir 100 cocos. A fruta é cotada a R$ 0,50 por unidade, o que garante renda de R$ 10,3 mil por ha. O cultivo da fruta tem também a vantagem de garantir renda mensal, já que as árvores frutificam a cada mês.
Como o custo de um sistema de irrigação é alto, Machado considera a atividade viável a partir de mil pés. Os coqueiros começam a produzir comercialmente em quatro anos, com previsão de recuperar o investimento a partir do quinto ano de implantação.
Em Marilena (79 km a noroeste de Paranavaí), o engenheiro agrônomo e produtor rural Ricardo Mendes dos Santos iniciou este ano a produção comercial de cocos. Com 50 ha de lavouras implantadas em 2000, ele têm previsão de chegar a 100 unidades por árvore. Toda a área recebe água por um sistema de irrigação por aspersão. O produtor investiu R$ 3 mil por ha e planeja recuperar o investimento a partir do ano que vem.
A opção pela cultura foi motivada pela boa rentabilidade a longo prazo. ''Também é uma forma de diversificar a propriedade, contou Santos, que cultiva 30 ha de manga. Ele comentou que os coqueiros são viáveis para pequenas propriedades porque podem ser intercalados com feijão, mandioca e café nas entrelinhas. ''O sombreamento das árvores até melhora a produção do café'', garantiu.


