Curitiba - Em um momento que a economia passa por incertezas, com alta do dólar, da inflação e dos juros, os investimentos mais indicados para o pequeno poupador seriam o Tesouro Direto, os fundos de renda fixa e os fundos multimercados. As orientações são de três especialistas da área consultados pela FOLHA. Já a poupança não é recomendada porque vem perdendo de longe da inflação.

André Leite, que é sócio responsável pela gestão da Tag Investimentos, afirma que quem colocou dinheiro na poupança está no prejuízo porque, enquanto a inflação está próxima de 10% nos 12 meses terminados em julho, a poupança rendeu 7,5% no mesmo período.

Para ele, uma das aplicações mais recomendadas para este momento seria o Tesouro Direto na modalidade de títulos pós-fixados do governo, as LFTs (Letras Financeiras do Tesouro) que estão pagando juros semelhantes aos da Selic (taxa básica de juros da economia) hoje em 14,25% ao ano. Tirando 15% de imposto de renda que é cobrado sobre o rendimento do Tesouro Direto, o poupador ainda fica com 12% de rendimento, que é maior que a inflação.

Segundo ele, o Tesouro tem liquidez diária e permite aplicações a partir de R$ 30. A aplicação pode ser feita por meio de corretoras de bancos ou independentes.

Os fundos DI e de renda fixa também são uma opção, mas a pessoa precisa pesquisar muito as taxas de administração que geralmente são de 2% a 3% ao ano. Uma taxa mais razoável, segundo Leite, seria de 0,5% a 1% ao ano. Vale lembrar que esses fundos têm incidência de imposto de renda sobre o rendimento que varia de 15% a 27,5%, dependendo do tempo que o dinheiro está aplicado.

Já o dólar, que acumulada até o final de julho, uma valorização de 27,8%, não está valendo mais a pena, na opinião de Leite. Ele acredita que boa parte da alta da moeda norte-americana já aconteceu e, por isso, comprá-la só seria recomendado para quem tem dívida em dólar ou vai viajar. Ele também não recomenda o ouro, por também ter a cotação atrelada ao dólar.

A aplicação em ações é uma opção para quem tem muita sobra de caixa e pensa em um investimento de longo prazo. No entanto, Leite recomenda escolher um fundo indexado ao Ibovespa.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, também aconselha o investimento no Tesouro Direto. Outra opção, segundo ele, seriam os fundos multimercados que são formados por bolsa, dólar e juros. "Esses fundos têm ido bem porque compraram muito dólar. Mas, é preciso ver o histórico de quem administra antes de optar por esta aplicação", alertou.

Na opinião dele, a renda fixa vale a pena só se for com juros pré-fixados. Perfeito considera que a bolsa também tem boas opções a partir de qualquer valor que a pessoa quiser investir. Essa aplicação pode ser realizada a partir de corretoras independentes ou de bancos. Uma alternativa seria aplicar em um fundo de ações para não investir apenas em um papel de uma companhia ou setor específico.

Ele também concorda que o atual momento da economia não favorece a aquisição de dólar. Segundo Perfeito, quem aplicar agora vai pegar só o resto da valorização da moeda norte-americana.

O economista recomenda que, antes de escolher a aplicação, o poupador precisa definir qual o objetivo tem com o dinheiro até para poder escolher investimentos de curto ou longo prazo e optar pelo tipo de risco que pretende correr.

O economista da Austin Rating, Alex Agostini, complementa a orientação dizendo que, antes de optar por uma aplicação é preciso ainda saber o perfil do investidor que pode ser conservador, moderado ou arrojado.

Ele explica que, considerando o perfil de um investidor moderado, a melhor alternativa para o momento é investir em títulos públicos (Tesouro Direto) com rentabilidade pré ou pós-fixada desde que indexado à taxa de inflação (IPCA). Ou em fundos de investimentos de renda fixa. Para Agostini, mesmo que o dólar suba mais, traz muitas incertezas. "Poupança nem pensar neste momento", alerta.

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