Pequenos podem gerar 1 milhão de empregos imediatos
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quinta-feira, 11 de setembro de 2003
Juliana Rangel<br> Agência Folha 
Rio de Janeiro - Se cada uma das micro e pequenas empresas de comércio e serviços do País, à exceção das familiares, contratassem mais um funcionário, o Brasil geraria, de imediato, 1 milhão de empregos.
O ensaio, feito a partir do Estudo Especial sobre Micro e Pequenas Empresas, divulgado ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que, aos poucos, o segmento está se tornando tornar um dos motores para o crescimento da economia.
Em 1998, micro e pequenas empresas empregavam 5,5 milhões de pessoas nas áreas de comércio e serviços. Esse número passou para 7,3 milhões em 2001, com uma alta média de 9,7% por ano - bem acima da expansão econômica brasileira, em torno de 2%.
O número de postos de trabalho nas médias e grandes empresas, por sua vez, cresceu de 4,3 milhões para 4,7 milhões. Ou seja, apenas 2,9% por ano. ''Entre as razões para o aumento de empregos no segmento está a alta taxa de natalidade dessas companhias'', explica o coordenador do Estudo Especial sobre Micro e Pequenas Empresas, Roberto Saldanha. ''Muitas pessoas foram demitidas após as privatizações das estatais e aproveitaram o dinheiro ganho com o Plano de Demissão Voluntária (PDV) para abrir uma empresa'', disse ele.
De 1999 a 2000, o número de pequenas e médias empresas com até cinco funcionários cresceu 22,7% na área de comércio e 27,1% na de serviços. O índice de mortalidade das empresas também foi alto, de 15,8% e 19%, respectivamente, mas inferior ao de natalidade.
O IBGE contabilizou tanto os empregos formais quanto os informais, mas apenas companhias devidamente registradas participaram do levantamento. Isso pode ter causado uma pequena distorção nos dados, observa Saldanha: ''Algumas empresas menores saíram da informalidade no período. Pode ser que alguns desses empregos já existissem, mas só passaram a ser contabilizados à medida que as empresas regularizaram sua situação''.
Foram consideradas no estudo empresas com receita bruta inferior a R$ 1,5 milhão por ano. Além de gerar mais empregos, o segmento contribui de forma significativa para o crescimento da economia.
A cada R$ 1 que faturam, as micro e pequenas companhias colaboram com R$ 0,37 para o Produto Interno Bruto (PIB) - a soma de todas as riquezas do País. Já as médias e grandes colaboram com R$ 0,24. ''As micro e pequenas empresas têm gastos proporcionalmente menores que as médias e grandes, em relação ao seu faturamento. Por isso, relativamente, acabam contribuindo mais para a economia, embora as de maior porte agreguem mais ao PIB em termos de volume'', diz Saldanha.


