Pequenos negócios criam mais empregos em abril
Levantamento do Sebrae, baseado em dados do Caged, mostra que as MPEs abriram 9,2% mais vagas com carteira assinada em abril do que ano passado
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sexta-feira, 14 de junho de 2019
Levantamento do Sebrae, baseado em dados do Caged, mostra que as MPEs abriram 9,2% mais vagas com carteira assinada em abril do que ano passado
Aline Machado Parodi - Grupo Folha 

A geração de novos empregos pelos pequenos negócios cresceu em abril na comparação com o mesmo mês do ano passado. Segundo levantamento feito pelo Sebrae, baseado em dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério da Economia, no Paraná foram criadas 8,4 mil vagas com carteira assinada por micro e pequenas empresas.
Os novos empregos nas MPEs representaram aumento de 9,2% na comparação com 2018. No acumulado do ano, os pequenos foram responsáveis por 26.660 novas vagas. No total, o Estado gerou 10.653 postos de trabalho em abril, uma alta de 15,44% em relação ao ano passado.
Em nível nacional, de acordo com o levantamento, no acumulado do primeiro quadrimestre deste ano, os pequenos negócios abriram quase 300 mil novos postos de trabalho. Entretanto, o saldo de empregos gerados pelas micro e pequenas empresas nos primeiros quatro meses deste ano ainda está 14,4% abaixo do saldo gerado por eles no mesmo período do ano passado.
“A recuperação do emprego passa pela retomada da economia, que depende diretamente da retomada da confiança de investidores, da aprovação das reformas no Congresso Nacional”, analisou Carlos Melles, presidente do Sebrae. “Os números mostram que o empreendedorismo está no sangue do povo brasileiro. Foram os pequenos negócios os grandes responsáveis pelo grande número de abertura de vagas no mercado de trabalho. E isso mesmo em tempos difíceis economicamente”.
Segundo o consultor do Sebrae PR, Sérgio Garcia Osório, o setor de serviços está sustentando o crescimento. Em abril, as MPEs do setor geraram 4.542 postos com carteira assinada, seguido do comércio (1.927), construção civil (1.201) e indústria de transformação (784). “Os serviços de educação, médicos, transporte e telecomunicação têm se destacado”, comentou Osório.
Ele ressaltou a capacidade de reação dos pequenos negócios. “As pequenas têm mais dificuldade de cortar pessoal e quando o mercado melhora um pouco, ela já busca alguém. Qualquer crescimento de escala ela já tem que contratar. É [pequena empresa] muito rápida na resposta de contratação”, explicou Osório.
O consultor avalia que, apesar dos dados positivos, o mercado ainda está no aguardo do crescimento econômico e que há uma mudança das relações de trabalho. “O país passou por uma transformação na questão do emprego [com a reforma trabalhista]. A pessoa pode ser subcontratada, por exemplo. Queira ou não isso terá reflexo”, afirmou.
O economista Cid Cordeiro enfatizou que o desempenho dos pequenos negócios replica o cenário de aquecimento do mercado de trabalho como um todo. Ele lembrou que o mercado vem de um desempenho muito baixo. “Abril recuperou um pouco, mas há uma frustração com o crescimento do país. Os indicativos eram de crescimento de 2% a 2,5%, agora é 0,5%. É uma boa notícia que abril gerou mais emprego, mas ainda não houve retomada da economia. Devemos ter maio e junho com desempenho um pouco maior, mas isso será reflexo da greve dos caminhoneiros do ano passado”, argumentou o economista.
Segundo ele, o governo ainda não apresentou nenhuma medida de estimulo ao consumo, apenas apontando que as fará após a aprovação da reforma da Previdência. “E as medidas que ele [governo] vem falando que fará são mais voltadas para as empresas do que para as famílias. E é o consumo das famílias que dá crescimento. Se não pensar em medidas de estímulo das famílias estaremos condenados a um baixo crescimento e o desemprego vai continuar em alta”, disse Cordeiro.


