Pequenos mercados disputam clientes com redes
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quarta-feira, 17 de novembro de 2004
Vera Barão<br>Reportagem Local 
Praticando preços semelhantes aos dos grandes supermercados, as pequenas redes começam a ocupar espaço nas estatísticas oficiais. Ranking elaborado pela Associação Brasileira de Supermercados (Abras) apontam que em 2000, as cinco maiores redes de supermercados detinham 41% do mercado brasileiro, mas passaram a concentrar apenas 38,1% em 2003. Esses três pontos percentuais significam R$ 3 bilhões em faturamento que, ao longo dos últimos quatro anos, foram distribuídos entre as médias e pequenas lojas.
O crescimento dos pequenos pode ser explicado pelo fato de que, quase todos os supermercados de pequeno porte estão hoje associados a alguma rede supermercadista, o que permite a compra em conjunto direto da indústria a preços menores. Para os donos de mercados da perifeira, as associações supermercadistas estão entre as principais responsáveis pelo aumento da receita. Fazendo parte de alguma delas, os pequenos estão tendo o mesmo poder de compra ou até mais do que uma grande rede de supermercado.
''Isso faz com que consigamos comprar direto da indústria, em função do volume, e praticar preços de grandes redes'', observa Paulo Shiraishi, proprietário do Supermercado Folha Verde, no Jardim Santa Mônica (Zona Norte de Londrina). Ele está no ramo há 10 anos e há pouco mais de um ano abriu mais uma unidade, no Jardim Shangri-la B (Zona Oeste).''Estamos conseguindo ter produtos com qualidade, de marcas conhecidas, a preços baixos, o que está atraindo o consumidor'', afirma.
O curioso é que nesses pequenos mercados a rotatividade diária de pessoas do bairro é grande e, muitas delas, compram produtos diariamente. ''As vezes venho até três vezes por dia, porque moro perto'', comenta a atendente de hospital Maria Minuzzi Teodoro. ''Quando faço compra mensal, procuro uma rede maior por oferecer mais opções, mas mesmo assim a frequência é grande no mercado do bairro'', afirma ela, dizendo que a grande vantagem de comprar no bairro é exatamente porque o estabelecimento está próximo. Para a dona de casa Joana Chaves, além de não ter tanta diferença nos preços, o fato do mercado ser próximo encurta o tempo que ela perderia procurando outras redes.
O gerente do Supermercado Boca Cheia, Fabiano da Conceição, também comemora o crescimento. Localizado no Jardim Interlagos (Zona Leste), de um ano para cá, o mercado passou a ocupar um espaço três vezes maior. ''Quando a loja era menor, não abrangíamos tantos fregueses. Hoje, nossa freguesia é da região toda'', conta Conceição. Prova disso, são as check-out (caixas) que antes eram apenas quatro e hoje são 10. O fato de fazer compras em rede também tem propiciado ao estabelecimento, segundo ele, oferecer promoções e vender produtos de qualidade semelhantes aos preços dos grandes mercados.
O supermercado 88, no Conjunto Lindóia (Zona Leste), ampliou as instalações, passando de 550 metros quadrados para 900 metros quadrados. ''Não estamos aumentando tanto as vendas, mas estamos conseguindo segurar nossos clientes, não perdendo para as grandes redes'', observa o proprietário Otacilio Ribeiro Vieira. Segundo ele, se os mercados não se associarem às redes, não sobrevivem. ''Faço compras mensalmente aqui porque encontro tudo que tem numa grande rede. Moro no bairro e não preciso pegar ônibus como teria que fazer indo num mercado grande'', justifica a dona de casa Helena Gonçalves Tavares.


