A vinculação direta entre safra volumosa e grande aquecimento de negócios imobiliários, que há alguns anos era praxe, não se repete agora com a mesma intensidade no Oeste paranaense, segundo avaliação da construção civil. O motivo é a menor remuneração obtida pela agricultura. Mas os indicativos são de que os negócios se mantém ‘‘estáveis’’.
A entrada do dinheiro da soja e do milho, principais produtos da safra de verão, é vital para a economia da região, centrada na agricultura. Para o mercado imobiliário, deve representar no máximo aquecimento nas vendas, ou ‘‘desova’’, de apartamentos de prédios já em construção.
Novos lançamentos de prédios porém não estão ocorrendo, segundo o engenheiro José Vidal Boaretto, presidente do Sinduscon. O Sinduscon tem 90 empresas como associadas ativas, entre as 300 existentes em 49 municípios de sua área.
A Prefeitura de Cascavel aprovou nos dois primeiros meses do ano 41.993,20 metros quadrados de construções. É mais que o dobro da metragem de igual período em 1996. Para as grandes construtoras da cidade, isto pouco representa, pois a avaliação do Sinduscon é de que o crescimento é motivado basicamente por pequenas obras.
Estas obras são executadas individualmente por famílias, em muitos casos através do sistema de mutirão. O maior número de projetos aprovados é mesmo de residências, com 24.075,08 metros quadrados. Somando-se moradias do Projeto Casa Fácil - que dispensa várias formalidades e taxas - chega-se a quase 28 mil metros quadrados.
Edificações conjugadas (comércio/residência) autorizadas somam 1.78 mil metros; ampliações e alguns templos, mais 265 metros. Especificamente para empreendimentos comerciais (que, ao lado de edifícios residenciais, são o principal interesse do mercado da construção civil), são 12 mil metros quadrados.
José Vidal Boaretto afirma que isto indica que o mercado ‘‘é estável’’. Ele acrescenta que nos últimos meses não houve lançamento de prédios em Cascavel, e estima que ‘‘uns vinte prédios’’ estejam em obras, a maior parte dos edifícios com construção iniciada há vários meses. Boaretto comenta também que aprovação de projeto ‘‘não significa imediato início de construção’’.
O consumo de cimento aumentou, em Cascavel - assim como em todo o País - mas segundo Boaretto, isto ocorre ‘‘no formiguinha’’, ou seja, através de pessoas que fazem auto-construção ou reformas. Se o mercado imobiliário é estável, também há estabilidade nos preços da construção, com custo mínimo à base de R$ 380,00 por metro quadrado, para padrão médio.
Tomando-se como base preços praticados nos últimos dias pelo mercado agrícola, estima-se que as cerca de 32 milhões de sacas de soja e 17,7 milhões de milho colhidas no Oeste paranaense representem mais de R$ 670 milhões. O dinheiro líquido, porém, é cerca de 40% deste total, porque o restante já estava comprometido, com financiamentos bancários e outras dívidas dos agricuiltores.

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