Rio de Janeiro - O Banco do Brasil (BB) poderá retomar o projeto de pulverização de ações para adesão de pequenos investidores, afirmou ontem o presidente da instituição, Cássio Casseb. ''Estamos esperando o momento ideal, em termos técnicos e de mercado'', disse. No entanto, ele explicou que não pode adiantar como seria feito o processo ou se seria mantida a idéia inicial de pulverização com utilização do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
O processo de pulverização de ações com uso do FGTS já foi implementado com sucesso pela Companhia Vale do Rio Doce e pela Petrobras e chegou a ser anunciado para o Banco do Brasil, mas foi cancelado pelo governo. Casseb disse, em palestra sobre governança corporativa na Associação Comercial do Rio de Janeiro, que para adesão plena da instituição ao Novo Mercado da Bovespa o banco precisa cumprir apenas uma exigência, que é atingir o porcentual mínimo de 25% de suas ações em circulação. Hoje o banco só tem 8% das ações em outras mãos.
Casseb adiantou que o banco está criando uma unidade para análise de projetos de infra-estrutura, ainda que este não seja um negócio de linha de frente da instituição. ''O capitão deste time é o Lessa (referindo-se ao presidente do BNDES, Carlos Lessa). Somos apenas agentes'', disse. No entanto, ele lembrou que o BB já participa em projetos de hidrelétricas e silagem, e que há R$ 4,3 bilhões em carteira para estes projetos.
Ele lembrou também que o banco tem pré-aprovados créditos para investimento de 18 mil empresas médias e de 182 mil pequenas empresas que são clientes da instituição há mais de três anos. Segundo ele, o objetivo da pré-aprovação é de que a concessão do crédito seja mais dinâmica quando solicitada.
O presidente do BB negou que as mudanças que estão sendo implementadas na diretoria da instituição estejam relacionadas às motivações políticas de distribuição de cargos para o PMDB. Ele confirmou que está havendo uma reestruturação das diretorias do banco para se adequar de forma mais eficiente ao PPA (Programa Plurianual). ''O PMDB é assunto do governo, não meu. Mas o banco está protegido, pois pelas suas regras os diretores têm que ser funcionários da instituição'', disse. Em seguida, em palestra, Casseb voltou a tocar no assunto e disse que no banco só há oito cargos, incluindo a presidência e as sete vice-presidências, que podem ser ocupados por executivos de fora da instituição.

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