A recuperação da economia brasileira passa mais pelo incremento das pequenas empresas do que pelas belas soluções dos problemas macroeconômicos, como aumento de exportação e o ajuste fiscal. Empresários - sobretudo os de pequeno porte - tem de deixar o receio de lado e apostar todas as fichas na criatividade. Esta foi a solução apontada pelo jornalista econômico Luiz Nassif, que participou, na noite de quarta-feira, do encerramento do 1º Fórum de Desenvolvimento Econômico - Maxi Economia, promovido pela Ibmec Business School, com apoio da Folha. O fórum, realizado no Teatro Marista em Londrina se dividiu em uma série de três palestras com persolidades nacionais.
‘‘A grande diferença é a criatividade’’, insistiu o jornalista para uma platéia atenta, formada por executivos, profissionais liberais e empresários. Nassif citou o arrojo dos músicos brasileiros das últimas décadas como necessário para modificar o atual cenário da iniciativa privada do País. ‘‘Nossos músicos não tiveram medo da inovação’’, cutucou. O resultado, disse Nassif, foi a bossa nova e mais tarde o mérito do Brasil possuir a verdadeira ‘‘world music’’.
O jornalista listou quatro etapas que as pequenas empresas têm de passar para poderem adquirir personalidade e eficiência. Desenvolver programas de qualidade; romper barreiras comerciais se associando em blocos ou cooperativas; reorganizar a empresa administrativamente e finalmente ter capacidade para inovar.
Luiz Nassif entende que o Brasil passa atualmente por esta fase de reorganização da atividade privada. ‘‘Estamos agora tendo a oportunidade de construir uma nação’’. Ele citou várias experiências positivas - de organização de pequenas e médias empresas em blocos -, que começam a aparecer fora do País. É o caso de Arapongas, onde as indústrias moveleiras estão conseguindo exportar. Em São Paulo, Minas Gerais e Santa Catarina também são vários os exemplos de pequenas empresas e indústrias associadas e fortalecidas.
‘‘Tudo está acontecendo muito rapidamente, creio que em três anos poderemos ter uma base industrial bastante representativa das pequenas empresas’’, informou ele.
Sobre a perspectiva do País, Nassif criticou o déficit público e as altas taxas do mercado. Para o jornalista, o cenário é de recessão clara, onde o governo terá de cobrir o déficit para não mexer no câmbio. Este quadro recessivo, entende o jornalista, atrapalha o Brasil na árdua tarefa de reduzir as exportações. Para ele, somente após a diminuição das exportações é que o País poderá efetivamente experimentar crescimento.César AugustoParaleloNassif: ‘‘Os empresários têm de ter o mesmo arrojo dos músicos brasileiros das últimas décadas’’Pedro Livoratti

mockup