Pequenos bancos serão prejudicados
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terça-feira, 21 de janeiro de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - O aperto de liquidez (escassez de dinheiro no sistema financeiro) previsto pelos bancos a partir da cobrança da CPMF deve prejudicar, principalmente, os pequenos e médios bancos e provocar aumento das taxas de juros, segundo o vice-presidente do Bradesco, Ageo Silva. Com o fim dos fundos de curto prazo, os grandes bancos que aplicam parte dos recursos captados pelos fundos de curto na compra de Certificados de Depósitos Bancários (CDBs) de instituições menores não vão renovar o estoque de CDBs, explica Silva. Pelas normas do Banco Central, os bancos podem investir 30% do patrimônio dos fundos de curto prazo em CDBs.
Os bancos menores vão passar apertado, prevê o vice-presidente do Bradesco, que até agora investia em certificados de outros bancos garantindo-lhe liquidez. A partir do dia 23, a tendência é que os grandes bancos reduzam os investimentos nesses papéis, levando-se em conta que a maioria dos bancos não terá mais fundos de curto ou trabalharão com uma carteira bem menor, como é o caso do Bradesco. Para conseguir vender CDBs no mercado, as instituições menores provavelmente terão de oferecer taxas de juros mais elevadas para atrair comprador, diz Ageo Silva. Se houver um aumento no custo de captação, a tendência é os bancos repassarem esse aumento para os clientes, cobrando mais caro pelo dinheiro.
Recursos aplicados
no curto prazo
devem migrar para
depósitos à vista
O governo tem de ter instrumentos para agir rapidamente dar liquidez às instituições menores, alerta Silva. Preocupada com os efeitos da perda de liquidez no sistema, a Federação Brasileira das Associações de Bancos (Febraban) fez nova reivindicação ao Banco Central para que reduzisse os compulsórios. Segundo Ageo Silva, que é um diretores da Febraban, o BC informou que só vai tomar uma decisão a respeito desse assunto depois que CPMF entrar em vigor e ver o efeito que causará ao mercado. Nenhum outro país tem compulsórios tão altos, chega no máximo a 10%, diz ele.
A expectativa do mercado é de que boa parte dos recursos que estão aplicados no curto prazo migrem para os depósitos à vista. Com isso, os bancos terão de recolher 75% de compulsório ao BC, sem receber remuneração por esse dinheiro, contribuindo para o enxugamento de recursos no sistema.


