Pequenos ameaçam não cumprir nova lei do leite in natura
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de setembro de 2000
Vânia Casado De Curitiba 
Cerca de 50% dos produtores de leite no Paraná não estão estruturados para se adaptar à legislação federal que implanta o sistema de coleta a granel nas propriedades e acaba com a classificação do leite em tipos A, B e C. Para o engenheiro agrônomo, Marcos Oliveira, do Departamento de Estudos Sócio-Econômicos Rurais (Deser), esses produtores não têm condições financeiras e não estão preocupados em se adequarem à nova legislação.
Conforme a Ocepar, 85% dos produtores vinculados às cooperativas de leite no Paraná (15 mil), já têm implantado o sistema de coleta a granel. O restante terá os equipamentos instalados na propriedade até junho de 2002, quando deverá entrar em vigor a resolução do Ministério da Agricultura nº 56, editada em dezembro de 1999, que visa a modernização do sistema de produção de leite nas regiões Sul, Centro-Sul e Leste.
O assessor da Ocepar, Nelson Costa, disse que a maior dificuldade de conscientização do produtor está nas regiões Sudoeste, Noroeste e Norte Pioneiro, onde a maioria dos produtores não está vinculada à cooperativas ou laticínios. Ele destacou que esses produtores também têm dificuldades de obter crédito para a modernização, já que os bancos oficiais que operam com as linhas do BNDES dificultam a aprovação de crédito para projetos individuais, liberando financiamentos apenas para os produtores ligados às empresas formalizadas.
O atual quadro da produção de leite no Estado abrange 32.400 produtores formais, que produzem 1,9 bilhão de litros de leite/ano, sendo que 60% vão para comercialização e 40% ficam retidos na propriedade. Do total de produção enviado para o mercado 53% vão para as cooperativas e 47% para os laticínios.
Para Oliveira, do Deser, a interpretação é outra. Segundo ele, os pequenos produtores não estão preocupados com a modernização, que demanda investimentos. Para começar, esse tipo de produtor não tem nem escala para bancar a compra de um resfriador (entre R$ 4 mil e R$ 5 mil).
O Deser acredita que possa haver distensões entre os pequenos produtores que resistem em participar da economia globalizada. Para eles, é mais tranquilo produzir pouco e continuar vendendo na região. Em relação à questão de sanidade que é a bandeira para a nova legislação, Oliveira disse que os pequenos produtores podem se adaptar sem ter que investir na compra de equipamentos caros. O fato é que as empresas precisam ampliar sua base de produção e por isso querem abocanhar essa parcela da produção dos pequenos produtores, resumiu.


