Pequenos agricultores criam Unicafes
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quarta-feira, 22 de junho de 2005
Agência Brasil 
Brasília - O pequeno agricultor conta, desde ontem, com uma organização nacional para defender seus interesses. A União Nacional das Cooperativas da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes) quer garantir os interesses de pequenas cooperativas que hoje não se consideram representadas. Ao todo, 600 cooperativas, centrais e federações integram a entidade.
O presidente da Unicafes, José Paulo Ferreira, afirma que a agricultura familiar representa hoje 33% do Produto Interno Bruto (PIB) Agropecuário e 10% do PIB Nacional. Para ele, o setor precisa de organização pois, de forma isolada, uma cooperativa não consegue dialogar com órgãos públicos e privados.
Entre os pedidos dos pequenos cooperativados, estão a mudança da legislação atual que regula a questão e a elaboração de políticas públicas voltadas à agricultura familiar. ''Temos uma luta grande para adequar a legislação, pois a Lei do Cooperativismo (Lei 5.764/71) é bastante atrasada e inadequada ao momento atual. Tanto faz uma cooperativa que tem uma movimentação de R$ 100 milhões como a que tem movimentação de R$ 10 mil'', informou. ''Com essa lei, as pequenas ficam discriminadas, injustiçadas'', completou.
Já o presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), Márcio Lopes de Freitas, considera legítima a criação da Unicafes, mas diz que legalmente não é reconhecida. Os cooperativados já contam hoje com o sistema OCB. De acordo com Freitas, pela Lei do Cooperativismo vigente (5.764/71), a Unicafes deveria estar registrada no sistema OCB para ser reconhecida pelas entidades do governo.
Durante o 1º Congresso da Unicafes, ontem, a entidade entregou um documento ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as demandas do setor. Ela solicitava o fim da representação dos cooperativados por uma única entidade, reconhecendo a Unicafes como um sistema.


