Carmem Murara
Os micro, pequenos e médios empresários querem que os bancos e o próprio governo federal reduza a burocracia para o acesso a financiamento. As atuais linhas de crédito disponíveis não chegam às mãos dos empresários muitas vezes por causa do excesso de exigências e garantias impostas. A discussão sobre o acesso ao dinheiro e geração de emprego está sendo feita no Seminário Internacional sobre Trabalho, Emprego e Microcrédito, que começou ontem e vai até amanhã no Centro Integrado dos Empresários e do Trabalhador das Indústrias do Paraná, em Curitiba.
O evento reúne palestrantes de vários países, entre eles Itália, Bélgica e Estados Unidos. Cada um apresenta os projetos que estão sendo feitos em seus países. Na região italiana de Modena, houve a liberação de crédito para financiar a agroindústria, o que provocou um aquecimento na economia local. O representante do Centro Internacional de Formação da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Daniel Navas, reforçou que a disponibilização de crédito para o empresário é fundamental. ‘‘O que mais emperra os negócios, aqui no Brasil, são os juros altos que inviabilizam qualquer empresa’’, afirmou.
A secretária nacional do Emprego e do Trabalho, Fátima de Oliveira, disse que é necessário entender que muitas vezes a burocracia representa uma garantia para o banco ou instituição financeira de que a empresa vai honrar o pagamento. ‘‘A burocracia pode representar um controle e uma responsabilidade no uso dos recursos’’, afirmou. Ela disse que o governo federal tem R$ 2 bilhões em créditos destinados aos pequenos negócios e para qualificação profissional de 3 milhões de trabalhadores.
O secretário de Emprego e Relações do Trabalho, Alex Canziani, também enfatizou a questão dos juros e da burocracia para liberar créditos. ‘‘Dinheiro tem e bastante, só que falta chegar às mãos de quem precisa. Somente o Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) tem mais de R$ 40 bilhões, mas tem que viabilizar o acesso’’, afirmou. Ele citou que a Agência de Fomento, que o governo do Estado pretende criar, terá um fundo de aval para garantir o empréstimo de dinheiro aos empresários.
Como exemplo de dificuldades para se tomar dinheiro, há o caso das indústrias de cerâmica da região de Campo Largo. O dono da Campo Largense José Canisso, que tem a função de presidente do Sindicato da Indústria de Cerâmica, Vidro e Louça, disse que das 36 pequenas e médias empresas do setor apenas duas conseguiram financiamento. ‘‘As outras nem tentaram porque as exigências eram grande por parte dos bancos’’, afirmou.
A esperança dos participantes do seminário é que durante o evento apareçam projetos e propostas que possam ser colocadas em prática no País para salvar as pequenas e médias empresas. Durante a abertura do seminário, o governador Jaime Lerner se solidarizou com os empresários. ‘‘A burocracia sempre adulou os grandes e prejudicou os pequenos’’, afirmou.

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